Segundo a activista, as ameaças terão ocorrido poucas horas depois de ter mantido contacto telefónico com o comandante municipal da Polícia Nacional em Kalandula, a quem revelou, pela primeira vez, a sua presença na região.
“A única pessoa a quem disse que estava em Malanje foi ao comandante municipal de Kalandula. Pouco tempo depois, recebi uma mensagem com palavras obscenas e ameaças, incluindo a possibilidade de sair de Malanje como uma encomenda”, referiu.
A activista informou que se encontrava na província de Malanje com o objectivo de prestar apoio a familiares de vítimas dos recentes distúrbios registados na capital do país, bem como para averiguar a situação do também activista Gildo André, cuja residência estaria cercada por efectivos das forças de segurança.
Laura Macedo avançou que pretende formalizar uma queixa junto da Procuradoria-Geral da República (PGR), embora tenha admitido não depositar total confiança nesta instituição, nem na actuação da Polícia Nacional.
“Vou apresentar a denúncia à PGR, mas reconheço que, até hoje, muitas queixas foram remetidas sem qualquer resposta oficial”, sublinhou.
Ainda no decurso da entrevista, a activista reiterou que irá prosseguir com o seu trabalho de acompanhamento social e comunitário, junto das famílias afectadas pelos incidentes, considerando ser essa a sua missão cívica.
“Já estive no Hospital Geral e no Hospital da Camama, a prestar apoio às vítimas. Continuarei a trabalhar, independentemente das ameaças”, afirmou.
As denúncias surgem na sequência dos tumultos registados em Luanda nos últimos dias, que resultaram em perdas humanas, feridos e elevados danos materiais, tendo sido amplamente condenados por organizações nacionais e internacionais.
