Activista denuncia abandono do Rio Cambambe e apela à intervenção do Governo Provincial de Luanda

O activista Alfarrábio Cogitabundo denunciou publicamente, esta sexta-feira, o estado de abandono das obras de reestruturação do Rio Cambambe, em Luanda, e apelou à intervenção directa do Governador Provincial, Luís Nunes, e do Executivo central para travar a progressão das ravinas e o risco de inundações.

Num vídeo divulgado nas plataformas digitais, o activista contestou as recentes declarações das autoridades provinciais que atribuem às populações a responsabilidade por residirem em zonas de risco. Segundo o denunciante, a situação de vulnerabilidade das famílias que vivem adjacentes ao rio deve-se, sobretudo, à “falta de continuidade” dos projectos de engenharia e à ausência de políticas habitacionais inclusivas.

Alfarrábio Cogitabundo sublinhou que a erosão provocada pelas águas pluviais e fluviais está a lastrar-se de forma acentuada, ameaçando a estabilidade das residências. O activista defendeu que, se as estruturas de contenção já iniciadas tivessem tido seguimento, a população viveria com maior dignidade e segurança.

“É muito fácil acusar-nos pelas nossas desgraças quando o Governo Provincial tem trabalho por fazer. Não vivemos em zonas de risco por opção, mas por falta de alternativas e pelo abandono das obras públicas no Rio Cambambe”, afirmou.

Durante a sua intervenção, o activista criticou a gestão dos fundos públicos, apontando o que considera ser um contraste entre os elevados investimentos em zonas urbanas consolidadas e o esquecimento das periferias. Questionou, igualmente, os critérios de atribuição de residências em centralidades, alegando que os cidadãos de estratos sociais mais baixos enfrentam dificuldades acrescidas no acesso à habitação condigna.

O apelo estende-se ao Ministério das Obras Públicas, Urbanismo e Habitação, no sentido de se inspeccionar a área e reactivar os trabalhos de desassoreamento e canalização do rio. A comunidade local teme que, com a intensificação da época chuvosa, a falta de manutenção das valas e das margens do rio possa resultar em danos humanos e materiais irreversíveis.

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