O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios, no Brasil, marcou para terça-feira, 16 de Setembro, a audiência de conciliação entre a companhia aérea angolana TAAG e o activista Hitler Samussuku, num processo que expõe, mais uma vez, as fragilidades da transportadora estatal.
De acordo com documentos judiciais a que o Hold On Angola teve acesso, o processo, registado sob o número 0716584-98.2025.8.07.0020, corre no 2.º Juizado Especial Cível de Águas Claras, em Brasília, e tem igualmente como ré a companhia brasileira GOL Linhas Aéreas S.A. O valor da causa está fixado em 57 mil reais, o equivalente a cerca de nove milhões de kwanzas, estando a decorrer sob o regime de justiça gratuita.
O episódio remonta a Junho de 2025, quando Samussuku deveria viajar para Luanda a fim de participar no lançamento do livro Angola Pós-Dos Santos, obra da qual é co-autor, bem como cumprir uma agenda de encontros académicos e diplomáticos, incluindo uma conferência na Universidade Católica de Angola e uma audiência com o embaixador da Noruega.
Porém, após uma falha técnica identificada em pleno voo, todos os passageiros foram evacuados e realocados em aeronaves de substituição — com excepção do activista. Apesar das tentativas de diálogo com a companhia, Samussuku não obteve qualquer resposta da TAAG, situação que o levou a avançar com o processo judicial.
A situação chegou a envolver a própria Embaixada da Noruega, que tentou interceder junto da transportadora sem sucesso. Para analistas, o caso ganha contornos políticos e simbólicos, por revelar como uma empresa pública angolana lida com cidadãos no exterior, arriscando comprometer a imagem internacional do país.
Esta será a primeira vez em que Hitler Samussuku será ouvido formalmente pelo tribunal brasileiro. Independentemente do desfecho, o processo lança um olhar crítico sobre a capacidade da TAAG em responder a crises, a relação deficitária com os seus passageiros e os prejuízos que incidentes desta natureza provocam na reputação da transportadora que se apresenta como “a porta de entrada de Angola”.
