O prestígio de uma instituição pode também ser avaliado pela qualidade dos que para ela se candidatam.
Quando se observa o perfil de muitos dos que hoje se apresentam como candidatos à Presidência da República em Angola, por via da tentativa ou mesmo da legalização das respectivas comissões instaladoras, surge uma inquietação lógica que não se pode omitir: estará aquela alta função de Estado a ser banalizada? Estaremos perante um esvaziamento simbólico do mais alto cargo da nação?
Tradicionalmente, espera-se que um candidato à Presidência da República encarne um conjunto de atributos que vão muito além da mera ambição pessoal. Espera-se estatura moral, visão estratégica, autoridade intelectual, experiência comprovada e sobretudo, uma ligação autêntica com as necessidades e aspirações do povo. No entanto, é notório que nos últimos tempos, muitos que se lançam na corrida à chefia do Estado o fazem sem qualquer base programática consistente, sem um histórico de serviço público relevante, e com discursos assentes mais na demagogia do que em projectos realistas. Alguns afirmam-se mesmo à partida como sendo oposição à oposição.
Este fenómeno pode ser reflexo de um processo mais profundo: a perda de credibilidade das instituições políticas, corroídas por práticas de clientelismo, corrupção, incompetência e impunidade. Quando quem ocupa a Presidência governa com distanciamento das reais necessidades da população, com promessas não cumpridas e com uma aparente desconexão com os princípios republicanos, o cargo tende a perder a sua aura de excelência. Como consequência, abre-se espaço para que qualquer um, mesmo sem preparação ou idoneidade, sinta-se à vontade para postular-se como “salvador da pátria”.
A banalização da Presidência da República é, portanto, não apenas um problema de imagem, mas um sintoma de degradação institucional. Quando o país carece de debates sérios sobre projectos de desenvolvimento, quando as candidaturas se transformam em plataformas de auto-promoção ou de acesso fácil a fundos públicos, perde-se a oportunidade de construir uma democracia madura.
Mais preocupante ainda é o facto de que isso contribui para o aumento do cinismo político, para a apatia dos eleitores e para a deslegitimação das eleições como instrumento de mudança.
As questões relativas à gestão dos assuntos de Estado ao mais alto nível, têm de merecer maior responsabilidade e seriedade.
Por Lukamba Gato
