A política é, de fato, um jogo — mas deve ser jogado com inteligência. A oposição teve momentos estratégicos para convocar manifestações, mas optou por não agir quando era mais oportuno. O MPLA joga conforme as regras que lhe convêm, sempre com o objetivo de manter o poder.
O primeiro grande momento para levar o povo às ruas foi durante o processo eleitoral de 2022. No entanto, a FPU e a UNITA ignoraram essa etapa crucial. O segundo momento surgiu com a proposta de divisão administrativa do país — mais uma oportunidade desperdiçada. Em ambos os casos, o silêncio e a inação foram notórios.
Agora, não é o momento ideal. As janelas estratégicas já passaram. É preciso reconhecer que, para fazer frente ao sistema, não basta reagir — é necessário antecipar, organizar e agir com sabedoria.
O MPLA sempre jogou sujo — manipula as regras, modifica as leis ao seu favor e utiliza as instituições como instrumentos de perpetuação no poder. Neste exato momento, mais uma vez, o partido no poder está a arquitetar novas manobras para se manter no controlo do país, ignorando o verdadeiro espírito democrático.
Enquanto isso, a oposição continua a perder tempo com reações tardias, quando deveria estar a construir estratégias sólidas, enraizadas nas comunidades, com ações coordenadas e sustentadas ao longo do tempo. Não basta apontar o dedo ao jogo sujo do regime — é preciso preparar-se para jogar com mais inteligência, ética e foco na mobilização consciente do povo.
A luta não se vence apenas com indignação, mas com organização.
Por José Juliano Sakalumbo
