Em Angola, há uma geração inteira a perder a fé, não em Deus, mas no país. Jovens formados, talentosos e cheios de vontade de transformar o mundo, hoje caminham entre a frustração e a sobrevivência. O Estado assiste, imóvel, enquanto a esperança morre lentamente nas esquinas da indiferença.
A Esperança em Luto
Nas ruas das nossas cidades, há um exército sem farda e sem comando. Jovens com diplomas nas mãos e sonhos no bolso, mas sem um destino. Passaram anos a estudar, acreditando que o conhecimento seria a chave da porta do futuro. No entanto, a porta está trancada — e a chave, perdida entre gabinetes que nunca abrem.
Todos os anos, as universidades despejam milhares de formados no mercado de trabalho. Médicos, engenheiros, juristas, professores, comunicadores, economistas, todos preparados para servir o país. Mas o país não os chama. O Estado que deveria acolher o talento, vira o rosto. E a promessa de um “amanhã melhor” transforma-se em piada amarga contada nas paragens e nos musseques.
Angola envelhece na mentalidade. Premia-se a obediência, não o mérito. Contrata-se o conhecido, não o competente. O emprego tornou-se privilégio, não direito. E o sonho de servir a nação foi substituído pela luta por sobreviver.
Os jovens estão cansados, não de trabalhar, mas de esperar. Aprenderam a transformar frustração em sarcasmo, e esperança em resistência. Tornaram-se doutores em paciência e mestres na arte de “dar um jeito”. Mas até quando?
Enquanto isso, o Estado cruza os braços. Fala de planos e reformas, mas ignora o grito silencioso que ecoa nas ruas. Um país que forma e não emprega é como um pai que ensina o filho a nadar, mas o deixa morrer afogado.
E o mais triste é ver o brilho a apagar-se. A esperança, antes viva e contagiante, hoje é uma chama trémula que arde nas mãos de poucos — aqueles que ainda acreditam que é possível mudar. São os jovens empreendedores, criadores, artistas, sonhadores, que insistem em não desistir.
Porque a esperança, mesmo ferida, ainda respira.
Morre, sim, mas morre devagar, com raiva e coragem.
E talvez seja dessa raiva que nascerá a mudança.
Se o Estado cruzar os braços, então que o povo levante os seus.
Porque uma geração inteira não pode ser condenada à espera.
E porque o futuro, o verdadeiro futuro pertence a quem não desiste de o sonhar.
Por : Germano Candimba
