Por mais que se vista de facto e gravata, o autoritarismo em Angola perdeu a vergonha. Não se esconde mais atrás de discursos sobre estabilidade ou soberania — desfila nu, arrogante e impune, pela passarela das instituições públicas. E o regime de João Lourenço é o principal estilista deste desfile indecente.
O que assistimos com a Comissão Nacional Eleitoral (CNE) não é apenas um escândalo técnico — é um insulto à inteligência dos angolanos. A UNITA, único partido com crescimento consistente nas urnas, está sendo amputada na composição da CNE, como se votos não servissem para nada. Vejamos a evolução: com 32 deputados, a UNITA teve 3 comissários; com 50 deputados, passou a 4 comissários; agora, com 90 deputados — quase o triplo de 2017 — continua com os mesmos 4 comissários.
Se estivéssemos numa democracia séria, a proporcionalidade seria um pilar. Hoje, os dados objectivos apontam que o MPLA deveria ter 9 representantes na CNE, a UNITA 8 e os partidos residuais — FNLA, PRS e PHA — deveriam negociar juntos um único representante. Mas não. O que se vê é um abuso de autoridade sem limites: para enfraquecer a UNITA, o MPLA “repartiu” os lugares entre os partidecos, numa espécie de leilão institucional onde a moeda é a lealdade cega ao regime. O resultado é a perpetuação da fraude com verniz legal.
E tudo isso acontece num contexto embaraçoso para o MPLA. O partido que governou Angola por quase meio século está hoje mergulhado em incerteza. Sem um candidato assumido para as eleições de 2027, sem rumo e sem legitimidade moral, o MPLA tenta usar as instituições para manipular o jogo — mas já não convence nem os seus próprios militantes.
Do outro lado, a UNITA, sob liderança firme de Adalberto Costa Júnior, resiste a todas as tentativas de sabotagem, campanhas de difamação e tentativas de divisão interna. Contra tudo e contra todos, o partido cresce. Ganha votos, ganha deputados, ganha apoio popular. E, principalmente, ganha confiança de que a alternância em 2027 não é um sonho, é uma possibilidade concreta.
O que o regime tenta impedir na mesa da CNE, o povo fará nas urnas — com vigilância, mobilização e coragem. Mas é preciso nomear a vergonha: o que está a acontecer é uma fraude anunciada, um assalto à democracia, um atentado contra a vontade soberana do povo.
O autoritarismo de João Lourenço e do MPLA já não se esconde: agora ele se orgulha de ser ditadura.
E isso, meus senhores, não é apenas sem vergonha — é criminoso.
