A esposa do denunciante angolano Man Gena, Clemência Vumi, afirma suspeitar que a sua filha recém-nascida tenha sido morta ou sequestrada no hospital em Moçambique. Em entrevista à DW África, a mulher revelou que se sente “aprisionada” e não acredita que a morte da filha tenha motivos clínicos, uma vez que nunca teve acesso ao corpo da criança.
Clemência Suzete Vumi explicou que a filha nasceu a 5 de abril e que, no dia seguinte, soube que a criança havia sofrido uma transfusão de sangue, procedimento que alegaram ter sido autorizado por si. “No dia 7, disseram-me que estava tudo bem e que poderia visitá-la todos os dias a partir das 11h00. Depois, uma senhora dos serviços de Migração ligou a dizer que o médico pediu urgência para irmos ao hospital. Chegámos e disseram que a minha filha sofreu uma paragem cardíaca às 21h00, conseguiram reanimá-la, mas às 22h00 teve uma segunda paragem cardíaca e não conseguiram salvá-la devido a uma hemorragia interna. Perguntei por que só me avisaram às 11h00 do dia seguinte. Eu disse que não era possível a minha filha estar morta. E se está morta, alguém a matou”, relatou.
Quando questionada se conseguiu identificar o corpo, Clemência afirmou que pediu, mas não lhe permitiram. “Garantiram que iríamos ver o corpo da bebé, mas até hoje nunca tive acesso. Uma segurança que trabalhou connosco disse que a minha filha não estava morta e que simplesmente a trocaram de incubadora, para não dar a nacionalidade”, contou.
Sobre a possibilidade de sequestro, a mãe disse apenas: “É isso”.
Clemência confirmou que o marido, “Man Gena”, está consigo: “Graças a Deus estamos juntos, mas a situação é complicada. Não temos contacto com ninguém. O Governo moçambicano não diz nada. Praticamente, estão a roubar a infância destas crianças e a traumatizá-las”.
Sobre o acesso a advogados ou à polícia, afirmou: “Não podemos. O Governo trancou-nos. Fomos vigiados em casa por cinco guardas o dia inteiro. Não conseguimos sair à rua. Eles trazem a comida. Desde que estamos aqui, não tivemos qualquer apoio do embaixador de Angola. Trancam a porta de casa e levam a chave”.
A família aguarda ainda uma decisão sobre a possível extradição para Angola.
