Amílcar Cabral foi assassinado há 51 anos

Pai do nacionalismo guineense e cabo-verdiano é considerado um dos líderes africanos mais carismáticos, influentes e figura de destaque no continente africano

Faz 51 anos desde que o fundador do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Amílcar Cabral, foi assassinado, a 20 de Janeiro de 1973, em Conacri, Guiné Conacri.

Amílcar Lopes Cabral nasceu em Bafatá, na Guiné-Bissau, a 12 de Setembro de 1924.

Oito anos depois, a família muda-se para a ilha de Santiago, em Cabo Verde, e em 1937 Amílcar Cabral entra para o Liceu, em São Vicente, e escreve os primeiros cadernos manuscritos de poesia.

Termina o curso liceal com média de 17 valores, em 1944, recebendo uma bolsa que lhe permitiu prosseguir os estudos em Lisboa, para onde embarca no ano seguinte, para frequentar o Instituto Superior de Agronomia, estabelecendo relações com outros estudantes africanos que frequentavam a Casa dos Estudantes do Império, como Mário Pinto de Andrade, Marcelino dos Santos, Francisco José Tenreiro e Agostinho Neto.

Em 1951 é eleito vice-presidente da Casa dos Estudantes do Império e no ano seguinte começa a trabalhar no Posto Agrícola Experimental de Pessubé (Bissau), que vem a dirigir. Publica o “Recenseamento Agrícola da Guiné-Bissau”, resultado de um extenso trabalho de campo que lhe permitiu, também, conhecer e contactar as populações em todo o território.

A 19 de Setembro de 1956, cria clandestinamente, em Bissau, o PAI (Partido Africano da Independência) do qual assume o cargo de secretário-geral. Inicia a fase de mobilização política com o pseudónimo de Abel Djassi. De 1956 a 1959, Amílcar Cabral realiza trabalhos em Angola, na área do estudo dos solos, participando também em actividades clandestinas nacionalistas.

Em Dezembro de 1957, nacionalistas das colónias portuguesas reúnem-se em Paris para analisar a evolução da luta anticolonial, decidindo fundar o Movimento Anticolonialista (MAC). Cabral colabora com Mário Pinto de Andrade no MAC (Movimento Anti-Colonialista), na FRAIN (Frente Revolucionária Africana para a Independência Nacional) e na CONCP (Conferência das Organizações Nacionalistas das Colónias Portuguesas).

PAIGC

Em 1960, o PAI adopta a designação de PAIGC (Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde) e Cabral desloca-se à China para preparar as condições de treino militar de jovens quadros do PAIGC, em Nanquim, ao mesmo tempo que dirige ao Governo português um Memorando, propondo negociações, sem resposta.

Amílcar Cabral apresenta, em 1961, uma comunicação nas Nações Unidas, sobre a situação na Guiné e em Cabo Verde. Em Setembro, apresenta um Memorando à Assembleia-Geral da ONU e, em Outubro, envia uma Carta Aberta ao Governo Português.

A 12 de Dezembro de 1962, Amílcar Cabral intervém na IV Comissão da Assembleia-Geral da ONU, com propostas para “ajudar o nosso povo a libertar-se urgentemente do jugo colonial”. Em Março, são detidos cerca de mil elementos clandestinos do PAIGC, entre os quais Rafael Barbosa, presidente do partido.

No ano seguinte, frustradas todas as tentativas de diálogo com o poder colonial português, Amílcar Cabral e o PAIGC decidem a passagem da acção diplomática à acção directa e à luta armada. São seus companheiros Aristides Pereira, Luís Cabral, Francisco Mendes, Nino Vieira, Pedro Pires e Carmen Pereira. O início da luta armada foi desencadeado pelo PAIGC a 23 de Janeiro, com um ataque ao aquartelamento português de Tite e diversas emboscadas na região de Fulacunda (Buba).

Em 1965, é inaugurada, em Conacri, a Escola-Piloto e a ONU realiza a primeira missão às regiões libertadas da Guiné-Bissau. Em Dezembro, são criadas as Forças Armadas Revolucionárias do Povo (FARP).

O ataque ao aeroporto de Bissalanca por um comando das FARP data de 1968, deixando o moral das forças coloniais muito em baixo. No ano seguinte, o PAIGC conquista as instalações militares fortificadas de Madina do Boé. O PAIGC controla cerca de dois terços do território da Guiné-Bissau.

Após a realização, em Roma, de 27 a 29 de Junho de 1970, da “Conferência Internacional de Apoio aos Povos das Colónias Portuguesas”, o Papa Paulo VI recebeu em audiência, no dia 1 de Julho, Amílcar Cabral (PAIGC), Agostinho Neto (MPLA) e Marcelino dos Santos (FRELIMO), afirmando que “A igreja e nós mesmos estamos ao lado dos que sofrem. Somos pela paz, a liberdade e a independência nacional de todos os povos, particularmente os povos africanos. Rezaremos por vós.” Amílcar Cabral, em nome dos três dirigentes, afirmou: “Trazemos à Vossa Santidade a expressão do respeito e da alta consideração não apenas dos católicos dos nossos países, como também dos nossos povos. Não somos contra o povo de Portugal, mas temos o direito de ser livres e independentes.”

Acção diplomática

A 22 de Novembro de 1970, as tropas coloniais lançam a “Operação Mar Verde”, contra Conacri, na República da Guiné, que é rechaçada. As instalações do PAIGC em Conacri são atacadas para eliminar os dirigentes do partido, designadamente Amílcar Cabral e Aristides Pereira.

Amílcar Cabral, convidado por Olof Palme, denuncia, em Estocolmo, em 1971, a política colonial do Governo português e, em especial, a situação de fome existente em Cabo Verde. A 6 de Dezembro, o Comité de Descolonização da ONU exprime o seu apoio à futura independência da Guiné-Bissau e de Cabo Verde.

Amílcar Cabral toma a palavra, em 1972, em nome dos movimentos de libertação, na Reunião Cimeira da OUA, realizada em Junho, em Rabat e, em Outubro, discursa, na qualidade de observador, nas Nações Unidas, em Nova Iorque. O Conselho de Segurança reconhece o PAIGC como legítimo representante do povo guineense. De Agosto a Outubro decorrem eleições nas regiões libertadas, para a Assembleia Nacional Popular.

O PAIGC, além do ataque ao quartel de Tite, realiza as primeiras emboscadas na região de Bedanda, no sul da Guiné e, em Março, consegue capturar, no porto de Cafine, dois barcos comerciais, o “Mirandela” e o “Arouca”.

O assassinato

Desde há muito tempo, os inimigos de Amílcar Cabral sempre entenderam que ele deveria ser “eliminado” ou, em algumas versões, raptado e levado para Bissau. A PIDE, por um lado, e as Forças Armadas Portuguesas, por outro, alimentaram ou encabeçaram essas tentativas. Conacri era um centro de espionagem internacional, com os serviços secretos ocidentais e da URSS, de Cuba e da Alemanha Oriental muito activos. Mas Amílcar Cabral menosprezava as questões de segurança pessoal, movimentando-se muitas vezes sozinho. Como disse Pedro Pires: “o próprio “Amílcar Cabral já nos tinha alertado sobre a probabilidade desse risco a partir da recolha de várias informações recebidas de amigos no seio do Exército português. Falhamos porque os nossos serviços de informação e segurança trabalharam mal as informações recebidas e o próprio Amílcar Cabral não teria dado o valor necessário e tomado medidas de precaução que o risco exigia”, “agimos de forma pouco precavida, superficial e subjectiva”.

A PIDE já tinha libertado do Tarrafal o ex-presidente do PAIGC Rafael Barbosa e Momo, tentando cercar politicamente Amílcar Cabral e a direcção do PAIGC. Na noite do atentado, camaradas próximos de Cabral acabaram com a sua vida: Inocêncio Kani, Momo Turé, João Tomás Cabral, Mamadú Indjai, Koda Nabonia… O antigo líder do PAIGC disse: “Pensávamos que as pessoas, os nossos camaradas, não chegariam a ponto de cometer aquele crime hediondo de traição. Foi um erro grave de avaliação.”

Sábado, 20 de Janeiro, às 20 horas, o PAIGC tem uma reunião com uma delegação da FRELIMO (Frente de Libertação de Moçambique) dirigida por Samora Machel. Após a reunião, Amílcar Cabral vai a uma recepção na Embaixada da Polónia. As 22h15 regressa a casa onde chega às 22h30. Cabral estaciona a viatura. No momento de entrar na casa é assaltado por um grupo de correligionários. Luta desesperadamente até que é assassinado por Inocêncio Kani. O seu adjunto, Aristides Pereira, e outros quatro companheiros que o acompanhavam são amarrados e transferidos para bordo de uma lancha. Não eram elementos da guarda pessoal, eram elementos ligados à Marinha do PAIGC.

Inocêncio Kani liga por telefone ao embaixador de Cuba, Óscar Oramos Oliva, informando-o de que o seu amigo Amílcar teve um problema e solicitando-lhe que o assista. A esposa de Cabral, ouvindo as detonações, comunica com o Presidente da República da Guiné, Sekou Touré que contacta por telefone com a direcção do porto para o fechar.

Os assassinos são capturados

Horas depois os assassinos foram capturados. A intenção dos atacantes era levar os dirigentes do PAIGC para os entregar à Marinha portuguesa. Aristides Pereira, José Araújo, Vasco Cabral e Buscardini, membros do Conselho Superior de Luta foram presos mas Cabral resistiu e foi abatido.

Aristides Pereira foi salvo “in extremis” pela intercepção de um barco soviético a embarcação que o transportava para fora das águas territoriais da República da Guiné rumo a Bissau. Na madrugada, os conspiradores eram presos pelas autoridades de Conacri.

Cabral teria recebido, pouco antes, a visita de dois elementos dos serviços de segurança da embaixada da Checoslováquia em Conacri), que o informaram de rumores de que um possível atentado contra a sua vida estaria a ser orquestrado. Também a delegação da FRELIMO, chefiada por Samora Machel, de visita a Conacri, trazia informações no mesmo sentido.

O assassinato de Amílcar Cabral em Conacri provocou, naturalmente, grande impacto na direcção do PAIGC, nos combatentes e populações da Guiné-Bissau e de Cabo Verde e um pouco por todo o mundo.

Aristides Pereira assume o cargo de secretário-geral do PAIGC, e este partido nacionalista proclama a independência da Guiné-Bissau em Madina do Boé, a 24 de Setembro de 1973, após lançar em todo o território nacional a “Operação Amílcar Cabral”, que infligiu sérios revezes ao Exército colonial português.

Em 24 de Setembro de 1973, a Assembleia Nacional Popular proclamou a independência da Guiné-Bissau; reconhecida por 82 Estados membros da Organização das Nações Unidas;

A 10 de Setembro de 1974, quatro meses e meio após o 25 de Abril de 1974, Portugal reconheceu a independência da Guiné-Bissau. Em 5 de Julho de 1975, foi proclamada a Independência de Cabo Verde.

Filhas querem transladar restos para cemitério em Bissau

Filhas de Amílcar Cabral buscam transladar seus restos do quartel-general para o cemitério municipal de Bissau. A medida surge após líderes do PAIGC serem impedidos de homenagear Cabral na Fortaleza de São José da Amura.

As filhas de Amílcar Cabral, fundador das nacionalidades da Guiné e Cabo Verde, pretendem mudar os seus restos mortais do quartel-general do exército para o cemitério municipal de Bissau, disse Indira Cabral Embaló.

Filha mais nova de Cabral, a ministra da Juventude, Cultura e Desporto no Governo demitido em Dezembro último pelo Presidente guineense, Indira Cabral Embaló disse ser “inconcebível que o povo não possa ter acesso” à campa do pai.

Homenagem falhada

A “gota de água”, de acordo com a filha do líder histórico da luta pela independência de Cabo Verde e Guiné-Bissau (1924-1973), aconteceu no sábado, quando um grupo de dirigentes do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), fundado pelo pai, foi impedido de aceder às instalações da Fortaleza de São José da Amura, onde pretendia homenagear Cabral.

“Deus sabe o que faz, porque se eu tivesse estado presente quando recusaram a caravana do PAIGC de entrar na Amura, hoje estaria presa ou quem sabe até morta”, escreveu Indira Cabral Embaló numa rede social.

O grupo do PAIGC, que pretendia depositar coroas de flores no mausoléu nacional, onde repousam os restos mortais de Cabral e de outros heróis guineenses, foi impedido de aceder ao local, “por ordens superiores”.

“É o cúmulo proibir a entrada na Amura dos comandantes Lúcio Soares e Duke Djassi, colegas de Cabral” durante a luta armada pela libertação da Guiné-Bissau, disse à Lusa Indira Cabral Embaló.

Proibido acesso dos partidos políticos

No domingo, quando prestou homenagem à memória de Amílcar Cabral, o Presidente guineense, Umaro Sissoco Embaló, explicou aos jornalistas que deu ordens ao Estado-Maior General das Forças Armadas para não permitir o acesso de partidos políticos ao mausoléu nacional.

“Não podemos aceitar que venham cá pessoas dizer que estão a depositar coroas de flores, não podemos aceitar teatro, ou cinema aqui”, sublinhou Embaló, destacando ainda que na China os membros do Partido Comunista não costumam fazer a mesma coisa na campa de Mao Tze Tung, fundador daquele país. O Presidente guineense disse que não vai aceitar “desordem na campa de Amílcar Cabral”, bem como dos heróis do país, e que, doravante, as homenagens naquele local só serão feitas em actos oficiais do Estado.

Transladar os restos para Bissau

Indira Cabral Embaló afirmou que ela e a irmã (Iva Cabral) farão de tudo para transladar os restos mortais de Amílcar da Amura para o cemitério Municipal de Bissau ou da Antula, nos arredores da capital guineense.

“Estando num desses cemitérios, mais honra e respeito terá. Estará junto do seu povo, que tanto amou. E, as pessoas que o amam de verdade poderão ir lá, livremente e sempre o homenagear”, referiu Indira Cabral Embaló.

Já Iva Cabral, historiadora e habitualmente residente em Cabo Verde, escreveu que “é preciso libertar Cabral” da prisão da Amura.

As filhas de Amílcar Cabral prometem endereçar uma carta formal às autoridades guineenses dando conta da intenção de transladar o corpo do pai para um dos cemitérios de Bissau.

“É uma intenção que já tínhamos há muito tempo, mas que vamos retomar agora em força”, salientou Indira Cabral Embaló.

Fundação defende roteiros culturais e turísticos na capital caboverdiana

O presidente da Fundação Amílcar Cabral, Pedro Pires, defendeu a existência de roteiros culturais e turísticos na capital de Cabo Verde sobre o histórico líder da independência do país e da Guiné-Bissau.

“Do nosso ponto de vista, teria interesse que colocássemos Amílcar Cabral e a sua obra, o seu pensamento, no quadro das actividades histórico-culturais que têm lugar no nosso país, na cidade da Praia. Seria extremamente interessante”, referiu, em conferência de imprensa, ao apresentar o programa de comemorações do Centenário do Nascimento de Amílcar Cabral, que se assinala a 12 de Setembro.

“Começávamos a trabalhar aquilo que se podia considerar o turismo histórico-cultural”, acrescentou o antigo Chefe de Estado cabo-verdiano.

Segundo referiu, seriam actividades que trariam “outro conteúdo ao turismo”.

“Saiamos do turismo de sol e de praia para um outro tipo, que é o turismo da cultura, da história e do pensamento”, capitalizando todo o manancial histórico — físico e imaterial –, legado de Amílcar Cabral.

“Seria extremamente interessante se nós o conseguíssemos”, referiu Pedro Pires.

O líder da libertação da Guiné-Bissau e Cabo Verde do regime colonial português “é uma das personalidades políticas e intelectuais mais proeminentes de África do século XX, uma referência mundialmente conhecida”, refere a fundação, no documento base de apresentação das comemorações do centenário.

A sugestão evocada por Pedro Pires completa outras valências em que Cabral é “objecto de estudo e fonte de inspiração, continuando a projectar a sua influência por todos os continentes, em vários domínios do conhecimento e da cultura”.

A toponímia é prova disso em vários pontos do mundo, acrescenta.

As celebrações do centenário de Amílcar Cabral arrancam no sábado, com actividades em Cabo Verde e na Guiné-Bissau, e assumem cariz internacional no resto do ano, com diversos eventos e iniciativas.

Um colóquio internacional sobre o líder histórico do movimento de libertação e independência da Guiné-Bissau e Cabo Verde, contra o regime colonial português, vai ser o ponto alto do programa, agendado para o mês do nascimento de Cabral.

Ideias de Amílcar Cabral sobre solos são hoje consideradas pela ONU

Algumas das ideias sobre a terra defendidas pelo agrónomo Amílcar Cabral são actualmente consideradas pelas Nações Unidas no combate à desertificação, o que revela o pioneirismo do líder africano, disse o especialista na área dos solos Manuel Madeira.

Professor catedrático jubilado do Instituto Superior de Agronomia (ISA), onde Amílcar Cabral se formou engenheiro agrónomo, Manuel Madeira sublinha a importância do curso no ecletismo da formação de Amílcar Cabral, que “é de uma cultura enorme, abrangendo várias áreas do conhecimento”.

Uma formação que agudizou a visão genérica dos problemas gerais, dos ecossistemas. À curiosidade natural de Cabral, associou-se uma formação superior, concluída após o relatório final do curso de engenheiro agrónomo, intitulado “O problema da erosão do solo. Contribuição para o seu estudo na região de Cuba (Alentejo)”, datado de 1951.

A obra, que faz parte do repositório do ISA e pode ser consultada, é dedicada “aos jornaleiros do Alentejo, trabalhadores da terra dos latifúndios, homens de vida incerta que a erosão ameaça”.

A dedicação terá promovido alguns anticorpos num sistema fascista e colonialista, sem espaço para grandes odes aos trabalhadores rurais.

À experiência pessoal aliou-se a formação do ISA e uma produção científica frequente, materializada em vários artigos. “Estou em crer que estes escritos derivam um pouco desse convívio, dessa confrontação com o drama humano que se vivia em Cabo Verde”, disse.

E dessa constatação surgiu a defesa de ideias pioneiras, como a construção de barragens.

“Cabral sabia que existia uma questão técnica: Temos de ter mais água, segurar água, reter água, florestar. Tem de se promover a cobertura florestal para se combater o risco da erosão”.

Curiosamente, adiantou o docente, estes textos que Amílcar Cabral escreveu enquanto estudante, a partir da situação cabo-verdiana que presenciou, aliada à investigação e formação superior no ISA, têm “fundamentos e conceptualizações que estão actualmente considerados na Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação, o que revela uma perceção e uma inovação”.

E acrescentou: “Cabral considerava que, além de um problema técnico, existia um problema de políticas, de governo, que os problemas eram todos abrangentes e que deveriam ser considerados nas mais variadas vertentes”.

As suas ideias de desenvolvimento da agricultura para as populações também não foram bem recebidas e Amílcar Cabral regressa a Lisboa. Realiza vários trabalhos de consultor técnico em Portugal e em Angola, onde se confronta novamente com questões que terão acelerado o seu papel enquanto líder independentista.

Foi assassinado a 20 de janeiro de 1973, em Conacri, na Guiné. Tinha 49 anos.

Em 2020, foi considerado o segundo maior líder mundial de todos os tempos, a seguir a Maharaja Ranjit Singh, líder do império sikh do início do século XIX, segundo uma lista elaborada por historiadores para a BBC e com a votação dos leitores.

Cabo Verde comemora Dia dos Heróis Nacionais e morte de Cabral

Celebra-se, sábado, 20 de Janeiro, o Dia dos Heróis nacionais em Cabo Verde e na Guiné-Bissau. Data que homenageia antigos combatentes da pátria e lembra a morte de Amílcar Cabral, considerado um dos líderes africanos mais carismáticos, influentes e figura de destaque no continente africano.

Em Cabo Verde, a efeméride é celebrada com diversas actividades. Cumprindo a tradicional homenagem de Cabo Verde à memória de Amílcar Cabral, o Presidente da República, José Maria Neves, depositou uma coroa de flores no Memorial Amílcar Cabral, na cidade da Praia.

O Chefe de Estado disse que Cabo Verde tem que render homenagem àqueles que, no passado, deram, em momentos decisivos, grandes contributos para o engrandecimento da Nação. “Hoje é dia de lembrar os heróis nacionais, de lembrar Amílcar Cabral e de lembrar aqueles que fizeram de tudo, alguns doando a própria vida para que Cabo Verde hoje pudesse ser um país independente, um país livre, democrático e com ambição de crescer e desenvolver-se”, disse José Maria Neves.

No mesmo dia, a Fundação Amílcar Cabral arrancou com as celebrações do centenário do seu nascimento, com o acto central presidido pelo Chefe de Estado, José Maria Neves, na cidade da Praia.

Nas cidades de Assomada e Mindelo, locais onde Amílcar Cabral passou parte da sua infância e juventude foram realizadas conferências sobre a vida e obra de Cabral. JA

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