É contraproducente o que vemos nos dias de hoje neste país. Há mulheres em Angola que se apresentam como feministas mas nunca leram se quer um único livro sobre feminismo, não têm bibliografia em casa sobre à ideologia que defendem, ou seja, pelo menos um livro para servir de guia não possuem e nunca leram. Resultado, confunde-se alho com bugalho!
A luta pela igualdade de género está a ser erradamente interpretada por aquelas que abraçaram a corrente feminista e talvez por alguma ilusão ou emoção.
Qualquer pessoa que quiser abraçar a luta sobre igualdade de género tem de ler obrigatoriamente Chimamanda Adichie. Esta escritora e feminista tem uma definição interessante sobre feminista: “uma pessoa que acredita na igualdade social, política e económica entre os sexos”.
Como vêem, em nenhum momento que ela diz que a luta deve ser levada a cabo exclusivamente por mulheres e para mulheres.
Como defender o feminismo se não se estuda sobre o movimento nem tão pouco se sabe sobre os conceitos básicos ? Falar de feminismo e não ter domínio ou conhecimento do assunto, é um risco à sério e pode atentar contra à dignidade humana e distorção de valores.
Tenho máximo respeito pela Sizaltina Cutaia, Áurea M., Câssia Clemente e tantas outras manas que promovem e incentivam outras mulheres a lutarem pelos seus direitos, estimulando mulheres a participarem activamente na política e que possam também fazer parte das grandes decisões na elaboração de políticas públicas do país, ou seja, ter poder, fazer parte do poder e a sua afirmação enquanto seres humanas (continuem e instruam mais as confusas).
Feminismo não é promoção de promiscuidades; não é destruição de lares ou relacionamentos; não é desrespeitar quem quer que seja. Autoestima de uma feminista não pode depender da quantidade de homens que lhe conquistam, saibam se posicionar e dar-se ao respeito. Feminismo não é vitimismo mas sim apresentar soluções e ideias que possam contribuir para a construção de uma sociedade igualitária a qual todos desejamos.
Movimento Feminista não tem como objetivo atacar os homens, desrespeitar parceiros, transformar um lar em campo de batalha para mostrar quem é quem dentro da relação. Feminismo não é apelar à morte dos homens, salvo opinião contrária.
Feminismo é um conjunto de movimentos políticos, sociais, ideológio e filosófico que têm como objetivo comum exigir dos poderes que se estabeleça igualdades de gelénero, ou seja, direitos iguais e uma convivência pacífica entre homens e mulheres por meio do empoderamento feminino, defesa dos direitos das mulheres e da libertação de mentes. Também não é necessário ser feminista para que se possa defender direitos das mulheres.
Att: tal como o Activismo não é uma profissão, feminismo também não é uma profissão, são causas abraçadas pelas pessoas que se revêm nelas. A nova vaga de feministas e activistas está a deixar de cuidar de si e dos seus lares para investir mais no feminismo e activismo, já não têm mais tempo para outras coisas mais importantes da vida de um ser humano. Não precisam fazer parte de mais de duas organizações cívicas para fazerem activismo. Escolha uma causa e organização e mantenha-se focado, não se anule, não corra muito, e lembre-se que cada um de nós deve contribuir na libertação e construção de Angola mediante ao que sabemos fazer e o que podemos dar dentro das nossas limitações. Angola não vai ser salva pelo esforço de uma única pessoa ou por um punhado de activistas ou feministas, é com a contribuição de cada angolano/a.
Leiam mais, invistam no vosso conhecimento e na família, capacitem-se para os desafios futuros. Lutem por Angola usando sabedoria e não fiquem distraídos com elogios e excessos de vaidades, não tenham pressa de aparecer, façam as coisas com responsabilidade.
Por Dito Dalí