O músico Hebo Imoxi afirmou, durante participação no programa Angola Fala Só desta sexta-feira, 20, que o rap desempenha um papel de mediador na sociedade, sobretudo em Angola, onde prevalecem práticas de “nepotismo, amiguismo e compadrio”.
Durante a conversa com ouvintes e internautas, o artista criticou a situação no município de Viana, comentando a exoneração do administrador Jeremias Dungo pelo governador de Luanda e apontando falhas na educação e infraestrutura local. “Ele não fez nada na educação”, reforçou Hebo Imoxi, endossado por outros participantes.
O rapper condenou ainda a prática de “maquilhagem” feita por subalternos durante visitas de autoridades, a cobrança de propinas a crianças do ensino básico e o desvio de medicamentos da cooperação internacional. “Resumo tudo com o nepotismo”, disse, criticando também a compra de mil viaturas para protocolo do Estado em detrimento de necessidades básicas como escolas, hospitais e alimentos.
Para Hebo Imoxi, a música deve servir como instrumento de crítica e reflexão, exaltando também aspectos positivos da sociedade. O artista afirmou compor com base nas influências do ambiente, amigos e contexto social, defendendo que o rap revolucionário não deve ser associado a estereótipos negativos.
O músico abordou ainda problemas como o consumo excessivo de álcool e a produção de músicas descartáveis, sugerindo que o Ministério da Cultura deve atuar para impedir conteúdos que não contribuem para o desenvolvimento social. “Tudo o que é em excesso é mau, e o artista tem de preservar a sua imagem porque seus seguidores observam o que ele mostra em público”, concluiu.
