A organização não-governamental (ONG) “Minuto Verde” defendeu, esta quinta-feira, em Luanda, a necessidade de um maior investimento estatal no sector da Economia Azul, considerando-a uma oportunidade estratégica fundamental para o desenvolvimento sustentável e a diversificação da economia nacional.
Num documento enviado ao HOLD ON ANGOLA, a organização sublinha que, com uma costa atlântica de aproximadamente 1.650 quilómetros, Angola detém condições privilegiadas para potenciar sectores como a pesca, aquacultura, logística portuária, turismo costeiro e energias renováveis marinhas, contribuindo significativamente para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) não petrolífero.
Apesar do elevado potencial, a “Minuto Verde” alerta para a persistência de desafios que limitam o pleno aproveitamento destes recursos. Entre os principais constrangimentos, a ONG destaca a pesca ilegal e a exploração excessiva de recursos marinhos, a poluição costeira, a fragilidade das cadeias de valor do pescado e a insuficiência de infraestruturas modernas de conservação e transformação.
A organização manifesta também preocupação com a crescente pressão sobre as zonas húmidas e ecossistemas costeiros, fundamentais para a preservação da biodiversidade marinha e para a protecção contra a erosão, num contexto de vulnerabilidade às alterações climáticas.
Para inverter este quadro, a “Minuto Verde” recomenda o reforço da fiscalização contra a pesca ilegal, o investimento em investigação científica marinha e a promoção de uma cultura oceânica através da educação ambiental. A ONG propõe igualmente uma governação moderna e participativa, que envolva as comunidades locais, pescadores artesanais, a juventude e as organizações da sociedade civil na gestão sustentável dos recursos.
“A economia azul não deve ser encarada apenas como uma oportunidade económica, mas igualmente como um instrumento de conservação ambiental, justiça social e segurança alimentar”, enfatiza a organização.
A entidade considera positivo o recente reforço da mobilização internacional e os programas de parceria com instituições como a União Europeia, voltados para a governação oceânica e a adaptação climática.
A “Minuto Verde” conclui que, num momento em que o país prossegue com a agenda de diversificação económica, a Economia Azul apresenta-se como um vector estratégico para a geração de emprego e o aumento do Rendimento Nacional Bruto, desde que o crescimento seja norteado por práticas responsáveis que não comprometam o futuro das próximas gerações.
