Angola: Estudo aponta baixa percentagem de apoio à recandidatura de João Lourenço no MPLA

A recandidatura de João Lourenço à liderança do MPLA, anunciada a 10 de Maio de 2026, tem suscitado diversas reacções no espaço público digital, segundo um estudo sociológico da consultora Ovilongwa, que cruza dados de sentimento online com indicadores institucionais e macroeconómicos.

A análise, que compreende um período de monitorização entre 10 e 14 de Maio, centrou-se na recolha de 9.502 comentários em redes sociais. De acordo com o documento, a amostra revela que apenas 4,7% dos utilizadores manifestaram apoio explícito à continuidade do actual líder na presidência do partido, enquanto 61,1% das interacções apresentam um tom crítico, com predominância do uso de ironia (54,0%).

O estudo do sociólogo David Boio articula estes resultados com os dados das rondas 8, 9 e 10 do Afrobarometer, que documentam uma tendência de erosão na aprovação presidencial, passando de 49,6% em 2020 para 29,7% em 2024. A análise sublinha que este declive ocorre num quadro macroeconómico de estabilização, com a inflação a recuar para 11,58% em Abril de 2026 e o défice fiscal a exigir atenção, segundo projecções do FMI.

O relatório enfatiza que o IX Congresso Ordinário do MPLA, agendado para Dezembro de 2026, assume uma importância estratégica para o futuro político do país. A liderança que emergir deste conclave será determinante para a escolha da lista de candidatos a deputados e do cabeça-de-lista para as eleições gerais de 2027, dado o sistema de lista fechada em vigor.

Para a Ovilongwa Consulting, a recandidatura de João Lourenço coloca em evidência a arquitectura do regime político angolano, onde o controlo da estrutura partidária define o acesso às funções de governação do Estado. O autor destaca que, independentemente da configuração final de 2027, o processo de escolha de sucessores internos será o eixo central da estabilidade institucional para o quinquénio 2026-2031.

Os dados recolhidos pelo estudo indicam que a ironia utilizada nas redes sociais, validada através da análise de 7.162 emojis, reflecte uma prudência discursiva dos cidadãos perante o cenário eleitoral. O documento conclui que a crise de legitimidade apontada não se limita a factores económicos, apresentando uma dimensão ética e política que domina a percepção pública sobre as instituições.

O estudo reafirma a necessidade de monitorização contínua do sentimento social, observando que o segmento digital jovem e urbano, embora com especificidades, constitui um reflexo das dinâmicas políticas que moldarão o próximo ciclo governativo.

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