Um grupo de 38 intelectuais e activistas da sociedade civil angolana tornou público, hoje (28), um manifesto intitulado “2027: A Impossibilidade de Alternância Perante a Absoluta Captura das Instituições”, no qual defendem que o actual cenário político inviabiliza qualquer mudança de governação por via eleitoral.
No documento, enviado à nossa redacção e que mereceu análise detalhada na plataforma digital do Observatório de Imprensa, os subscritores sustentam que o aparelho de Estado se encontra “totalmente capturado”, alegando um controlo absoluto sobre as instituições de gestão e administração do processo eleitoral.
Segundo o manifesto que também foi retratado durrante as analises na plataforma digital canal do youtube realizada pelo Observatório de Imprensa, a actual conjuntura é agravada por uma suposta participação directa dos serviços de inteligência e da Casa Militar da Presidência da República no processo de manutenção do poder, o que, na visão dos signatários, retira credibilidade ao Tribunal Constitucional para decidir sobre eventuais contenciosos eleitorais.
O grupo de cidadãos, que inclui nomes como a socióloga Luzia Moniz e o académico Domingos da Cruz, manifesta igualmente preocupação com o papel da comunidade internacional. O texto refere que os interesses geoestratégicos do Ocidente e da Eurásia na exploração de recursos naturais prevalecem sobre a exigência de padrões democráticos, deixando o povo angolano “abandonado”.
No capítulo dedicado às forças políticas, o manifesto tece duras críticas à oposição parlamentar, acusando-a de “incapacidade crónica” e de dependência financeira do partido no poder. Para os subscritores, o discurso de alternância em 2027 constitui um “erro analítico” e uma “falta de compromisso com a verdade”, uma vez que o actual sistema legislativo não oferece garantias de transparência.
Perante o que classificam como um “sofrimento apocalíptico” das populações, o documento apela à tomada de consciência e sugere a “revolução popular” como via para a autodeterminação, fundamentando a proposta no artigo 20.º da Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Povos.
O manifesto aborda ainda o papel das confissões religiosas e da sociedade civil, apontando uma “ambiguidade estratégica” das igrejas e um enfraquecimento das organizações cívicas perante a burocratização do sistema.
Entre os 38 signatários figuram também o historiador Manuel dos Santos, o activista João Malavindele e o jurista João Macongo, que reiteram que apenas um acontecimento fora das variáveis políticas actuais ou a acção directa do povo poderá alterar o curso da história política do país.
Clique no link para ler ou baixar o Manifesto em PDF (2027: A Impossibilidade de Alternância Perante a Absoluta Captura das Instituições e a Rede de Cumplicidade)
