Clientes da UNITEL agastados com ajustes de preços e limitações no serviço Net Casa 5G

Vários clientes da operadora de telefonia móvel UNITEL angolana manifestaram, nos últimos dias, o seu descontentamento face os recentes ajustes nos planos de internet residencial “Net Casa 5G”, caracterizadas pelos ajustes de preços e novas limitações na navegação.

Está em causa a aplicação da Política de Utilização Responsável (PUR), que estabelece limites de consumo de dados (plafonds) nos pacotes anteriormente considerados ilimitados pelos utilizadores.

Preços actuais – Tabela de Planos de Internet (7 Dias)

Velocidade Download PUR*  Limite** (Pós-consumo) Preço (Kz)
Até 10 Mbps 125 GB 1 Mbps 7.000 Kz
Até 25 Mbps 192 GB 2 Mbps 10.000 Kz
Até 50 Mbps 250 GB 4 Mbps 15.000 Kz
Até 100 Mbps 500 GB 8 Mbps 26.750 Kz
Até 200 Mbps 1 TB 10 Mbps 44.750 Kz

Preços actuais – Tabela de Planos de Internet (30 Dias)

Velocidade Download PUR* Limite** (Pós-consumo) Preço (Kz)
Até 10 Mbps 500 GB 1 Mbps 24.250 Kz
Até 25 Mbps 750 GB 2 Mbps 35.000 Kz
Até 50 Mbps 1 TB 4 Mbps 52.500 Kz
Até 100 Mbps 2 TB 8 Mbps 93.750 Kz
Até 200 Mbps 4 TB 10 Mbps 156.250 Kz

Segundo apurou a nossa equipa, com base em relatos de clientes e em informações verificadas no site da UNITEL, as novas regras condicionam a velocidade contratada ao volume de consumo semanal ou mensal.

No plano de 25 Mbps (mensal), por exemplo, o cliente navega à velocidade máxima até atingir uma quota de 750 GB. Uma vez ultrapassado este tecto, a velocidade sofre uma redução drástica para 2 Mbps, não podendo o cliente navegar à velocidade pela qual pagou, o que, na visão dos consumidores, torna o serviço “demasiado lento” para as necessidades actuais.

“A navegação torna-se instável. Depois de atingirmos o limite, já não conseguimos fazer videochamadas ou assistir a vídeos com qualidade. Para uma casa com várias pessoas, esse consumo esgota-se muito rápido”, lamentou um dos utentes.

A redução da velocidade tem condicionado actividades básicas como o acesso a plataformas de ensino à distância, trabalho remoto e redes sociais, gerando constrangimentos sobretudo em agregados familiares numerosos.

Enquanto muitos focam na limitação, o Sr. Mateus, residente em Luanda e utilizador do plano de 25 Mbps (30 dias), partilha uma perspectiva diferente. Para ele, a introdução da Política de Utilização Responsável (PUR) funcionou como um “filtro natural” contra abusos.

“Sinceramente, as novas regras trouxeram-me uma paz que eu não esperava,” explica Mateus. “Antes, eu sentia que a minha rede estava sempre pesada porque alguns vizinhos — e até pessoas que passavam pela rua — tentavam constantemente quebrar a minha senha para fazer downloads massivos. Com o limite de 750 GB, quem usava a minha rede sem autorização agora encontra uma barreira.”

Contactada através do seu serviço de atendimento ao cliente, a UNITEL esclareceu que a PUR constitui um mecanismo destinado a garantir o uso equilibrado da rede, assegurando a qualidade e estabilidade do serviço para todos os utilizadores.

A empresa salvaguarda ainda que os seus termos contratuais prevêem a alteração das condições de serviço, desde que haja comunicação prévia aos clientes, cumprindo os prazos legalmente definidos.

Especialistas defendem maior transparência na comunicação das condições dos serviços e apelam à necessidade de equilíbrio entre a qualidade da oferta e a protecção dos direitos dos consumidores no sector das telecomunicações em Angola.

As reclamações surgem num contexto de crescente digitalização em Angola, onde a internet se tornou uma ferramenta indispensável para o sector produtivo e educacional.

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