O Presidente da organização não governamental “Minuto Verde”, Rafael Lucas, classificou, nesta quarta-feira, a situação das cheias na província de Benguela como uma das mais graves crises ambientais e humanitárias dos últimos tempos, apontando fragilidades estruturais no ordenamento do território como factor agravante.
Segundo o especialista, que se pronunciava num parecer técnico sobre a situação registada em Abril de 2026, as inundações provocaram perdas de vidas humanas, destruição de habitações, deslocamento de famílias e danos consideráveis em infraestruturas essenciais.
De acordo com a análise, embora os fenómenos estejam associados à variabilidade climática e às alterações climáticas globais, os seus efeitos foram agravados por factores humanos, como a ocupação desordenada de zonas de risco, insuficiência dos sistemas de drenagem urbana, desmatamento e deposição inadequada de resíduos sólidos.
O documento destaca o transbordo do rio Cavaco, na sequência do rompimento de um dique de protecção, como um dos episódios mais críticos, tendo resultado na inundação de bairros, interrupção de serviços e paralisação de actividades económicas.
Do ponto de vista ambiental, o especialista aponta para a degradação dos solos, assoreamento de rios, contaminação de recursos hídricos e aumento do risco de doenças, como cólera e diarreias, além da perda de biodiversidade e impactos na produção agrícola.
Rafael Lucas considera que a dimensão dos danos poderia ter sido mitigada com a implementação de medidas preventivas já recomendadas em estudos anteriores, nomeadamente o reforço dos sistemas de drenagem, protecção das bacias hidrográficas e construção de infraestruturas resilientes.
Face ao cenário, o ambientalista defende a adopção urgente de políticas integradas, com destaque para o ordenamento rigoroso do território, reassentamento de populações em zonas de risco, investimento em infraestruturas adequadas e promoção de acções de reflorestamento.
O especialista sublinha ainda a necessidade de melhorar a gestão de resíduos sólidos, implementar sistemas de alerta precoce e reforçar a educação ambiental, com o envolvimento das comunidades.
Para o responsável, a situação vivida em Benguela demonstra que os desastres naturais são frequentemente agravados por falhas de planeamento, defendendo uma abordagem preventiva e coordenada para reduzir riscos e garantir maior resiliência face às alterações climáticas.
