Africa Monitor aponta bloqueios à transparência que travam saída de Angola da lista cinzenta

As resistências internas à implementação de medidas de transparência financeira continuam a dificultar a saída de Angola da lista cinzenta do Grupo de Acção Financeira Internacional, prevista até Janeiro de 2027, segundo revelou o relatório do Africa Monitor Intelligence.

De acordo com a edição de 9 de Abril de 2026, os principais entraves estão ligados a interesses políticos e económicos influentes, sobretudo nos sectores mineiro e petrolífero, considerados estratégicos para a economia nacional.

A publicação refere que persistem bloqueios à divulgação dos titulares efectivos de empresas, uma das exigências centrais do plano de acção do GAFI para reforço da transparência e combate ao branqueamento de capitais.

Segundo o relatório, estas resistências estão associadas a indivíduos com forte influência política e participação em sectores-chave ou beneficiários de contratos por ajuste directo, o que continua a limitar avanços significativos nesta matéria.

No quadro das reformas em curso, as autoridades angolanas têm procurado apresentar progressos ao GAFI, com destaque para medidas ligadas à identificação de beneficiários efectivos, combate ao branqueamento de capitais, confisco de activos e responsabilização criminal.

Os sectores mineiro e petrolífero permanecem sob maior escrutínio, sendo apontados como áreas sensíveis devido ao elevado volume financeiro e ao histórico de contratos estratégicos. Neste contexto, cresce a pressão para que investigações atinjam também grandes estruturas, incluindo a petrolífera estatal Sonangol.

Analistas consideram que o avanço desta agenda representa um teste à capacidade do Estado angolano em demonstrar compromisso com a transparência e o combate à corrupção, sobretudo em sectores tradicionalmente associados a interesses protegidos.

Com o prazo de 2027 a aproximar-se, o nível de abertura na divulgação dos verdadeiros donos das empresas poderá ser determinante para a retirada de Angola da monitorização reforçada e para o reforço da credibilidade do país no sistema financeiro internacional.

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