O deputado da UNITA pelo círculo provincial de Luanda, Jeremias Mahula, afirmou que as recentes inundações provocadas pelas chuvas que caíram sobre a capital angolana, durante o fim-de-semana, expõem fragilidades estruturais da cidade, sobretudo ao nível do saneamento e do planeamento urbano.
Segundo o parlamentar, “o problema não é a chuva, mas a falta de infra-estruturas para lidar com ela”, defendendo que Luanda carece de soluções concretas e sustentáveis para enfrentar fenómenos climáticos recorrentes. “Luanda não falha por causa da chuva, falha porque nunca se preparou para ela”, sublinhou.
O deputado advoga a necessidade de uma nova abordagem, em que o saneamento básico, o ordenamento do território e a responsabilidade institucional deixem de ser apenas promessas e passem a constituir práticas efectivas.
Entretanto, subiu para três o número de mortos em consequência das fortes chuvas registadas no sábado, 4 de Abril, na província de Luanda, de acordo com o Serviço de Protecção Civil e Bombeiros.
No total, cerca de 4.180 habitações foram afectadas, com maior incidência nos bairros Honga, Bagdá, Kifica, Danjareux e Benfica. No município do Kilamba Kiaxi, foram registadas aproximadamente 1.100 casas inundadas, enquanto Viana, Maianga, Sambizanga e Camama também reportaram danos significativos.
O porta-voz dos bombeiros, Wilson Baptista, indicou ainda que os municípios mais afectados incluem Cacuaco, Sambizanga, Hoji-Ya-Henda, Cazenga, Mulenvos e Viana, onde equipas continuam no terreno a prestar assistência às populações afectadas.
As ocorrências reacendem o debate sobre a vulnerabilidade urbana de Luanda face às chuvas intensas e reforçam os apelos à adopção de medidas estruturais para mitigar os impactos das inundações na capital angolana.
