Um trabalhador angolano de 36 anos de idade, identificado como Pedro Domingos, perdeu a vida no passado dia 10 de Dezembro, no estaleiro da empresa chinesa GHCB Angola S.A., localizado no município do Dondo, província do Kwanza Norte, em circunstâncias que continuam por esclarecer.
A informação foi avançada pelo Coordenador da Força Unida contra a Repressão e Injustiças em Angola, Pedro Pakas, que confirmou à redacção do Hold On Angola que o corpo do trabalhador apenas foi removido do local no dia seguinte ao óbito.
De acordo com a família, a empresa não procedeu a qualquer comunicação oficial sobre a morte do trabalhador. Os familiares afirmam que tomaram conhecimento do falecimento através de um colega de serviço, depois de um parente ter ligado para o telemóvel da vítima.
Perante o silêncio da entidade empregadora, familiares de Pedro Domingos, acompanhados por defensores dos direitos humanos, deslocaram-se esta terça-feira, 16 de Dezembro, à sede da empresa-mãe da GHCB Angola S.A., situada no Km 28, na província do Icolo e Bengo, com o objectivo de obter esclarecimentos e exigir responsabilidades.
Durante o encontro, segundo os familiares, a administração da empresa limitou-se a referir que se tratou de um acidente de trabalho, sem apresentar qualquer relatório técnico, auto de ocorrência ou documentação oficial que sustentasse a versão apresentada. Ainda de acordo com a mesma fonte, representantes da empresa terão afirmado que situações semelhantes já ocorreram anteriormente, mencionando a entrega de valores monetários às famílias como forma de compensação.
Informações adicionais indicam que, no momento do acidente, operadores de máquinas encontravam-se em greve devido à alegada falta de pagamento de salários. Na sequência disso, a empresa terá colocado um trabalhador não habilitado a operar uma máquina pesada, circunstância em que a pá de uma escavadora terá atingido mortalmente o camionista Pedro Domingos.
Após a intervenção dos familiares e activistas, a empresa comprometeu-se a disponibilizar um montante de 500 mil kwanzas à família da vítima, valor considerado insuficiente face à gravidade do ocorrido e às obrigações legais decorrentes de um acidente de trabalho mortal.
O caso levanta preocupações quanto às condições de segurança laboral, à protecção dos trabalhadores angolanos e ao cumprimento da legislação vigente por empresas estrangeiras que operam no país. Defensores dos direitos humanos apelam à intervenção das autoridades competentes, nomeadamente a Inspecção Geral do Trabalho e o Ministério Público, para a abertura de uma investigação independente, célere e transparente.
Entretanto, a família informou que o funeral de Pedro Domingos terá lugar esta sexta-feira, 19 de Dezembro de 2025, no bairro Uíge, junto à paragem da Farmácia, apelando à presença da comunicação social para o acompanhamento do acto fúnebre.
