O Ministério dos Transportes da República de Angola lançou, esta sexta-feira, 7 de Dezembro de 2025, o Concurso Público Internacional para a concessão do direito de exploração, gestão e manutenção do Corredor do Namibe. As entidades interessadas poderão apresentar propostas até 4 de Maio de 2026.
Segundo o comunicado do ministério, a concessão terá duração inicial de 30 anos, prorrogável até 50 anos, e abrange a operação, manutenção e conservação da Linha Férrea de Moçâmedes–Menongue, incluindo material circulante, infra-estruturas associadas, oficinas e centro de formação. O concurso prevê ainda a concepção e construção de novos troços, extensões e ramais, bem como ligações ferroviárias à Namíbia e, futuramente, à Zâmbia.
O Secretário de Estado dos Transportes Terrestres, Jorge Bengue, destacou que o processo representa uma oportunidade estratégica para operadores internacionais com experiência comprovada no sector ferroviário. “O Corredor do Namibe tem potencial para reforçar o papel de Angola como plataforma logística regional, fortalecendo cadeias de abastecimento, promovendo novos investimentos e ampliando a competitividade das exportações”, disse.
Jorge Bengue acrescentou que, nos últimos anos, o país implementou reformas estruturais que reforçaram a segurança jurídica e criaram um ambiente de negócios mais competitivo, citando o sucesso da concessão do Corredor do Lobito como exemplo de parcerias público-privadas bem-sucedidas.
As candidaturas estão abertas a empresas individuais ou associações de operadores com experiência comprovada na gestão de infra-estruturas ferroviárias e operações de carga. Os requisitos técnicos e financeiros encontram-se nas peças do procedimento, disponíveis mediante pagamento de 20.000 dólares ou equivalente em kwanzas.
O Corredor do Namibe integra o Caminho-de-Ferro de Moçâmedes, com 855 km de extensão, e o Porto do Namibe, constituindo um eixo estratégico para o escoamento de minérios, rochas ornamentais, produtos agrícolas e outros bens. A infra-estrutura permite uma capacidade teórica de até cinco milhões de toneladas por ano e serve como ponto de ligação para países do interior da região, em articulação com os corredores do Lobito e de Walvis Bay.
De acordo com o ministério, o Corredor do Namibe contribui igualmente para o desenvolvimento turístico e para a integração regional, consolidando Angola como um hub comercial relevante nas ligações Atlântico–Índico.
