Um tribunal especial do Bangladesh condenou, nesta segunda-feira, e à revelia, a ex-primeira-ministra Sheikh Hasina à pena de morte, por alegados crimes contra a humanidade. O acórdão atribui-lhe responsabilidade directa por ter ordenado uma repressão violenta contra um levante estudantil ocorrido no ano passado.
De acordo com o tribunal, Hasina terá instruído o uso de força letal, incluindo helicópteros, drones e munição real, contra estudantes manifestantes. Os juízes consideraram que existem elementos suficientes para classificar os acontecimentos como crimes contra a humanidade.
As manifestações, que começaram em Julho de 2024 devido a reivindicações estudantis, evoluíram rapidamente para um protesto nacional que culminou na queda do Governo de Hasina. Estimativas das Nações Unidas indicam que até 1.400 pessoas poderão ter perdido a vida nos confrontos.
Com 78 anos, Hasina encontra-se em exílio na Índia desde Agosto de 2024, depois de ter fugido de helicóptero, momentos antes da crise atingir o ponto mais crítico. A ex-governante rejeitou todas as acusações, afirmando que o processo judicial é “manipulado” e movido por motivações políticas.
A leitura da sentença provocou fortes reacções: dentro da sala do tribunal registaram-se aplausos de familiares das vítimas, enquanto nas ruas de Daca as autoridades reforçaram o dispositivo policial para prevenir possíveis protestos.
A decisão surge a poucos meses das eleições nacionais de Fevereiro de 2026, num contexto marcado pela proibição da participação da Liga Awami, partido liderado por Hasina.
