Angola poderá ultrapassar este ano a meta de produção de 14,8 milhões de quilates de diamantes, segundo o presidente do Conselho de Administração da Endiama, José Ganga Júnior. No entanto, o país enfrenta sérias dificuldades na comercialização devido à forte redução dos preços no mercado internacional.
Em declarações à agência Lusa, Ganga Júnior revelou que cerca de quatro milhões de quilates permanecem atualmente armazenados, resultado direto da desaceleração das vendas. Apesar disso, a produção nacional deverá atingir 15 milhões de quilates até ao final de 2025, impulsionada pela entrada em operação da mina de Luele, uma das mais promissoras fontes primárias de kimberlitos no país.
“Na generalidade, as empresas estão todas a funcionar, excetuando duas que enfrentam problemas de rentabilidade neste momento”, explicou o gestor, destacando que o principal desafio continua a ser o mercado.
“Temos muita dificuldade em vender. Os preços estão bastante baixos — em algumas minas houve reduções superiores a 50% face aos últimos dois anos —, mas estamos a sobreviver”, admitiu Ganga Júnior.
Para contornar a crise, a Endiama tem adotado medidas de contenção, incluindo redução de despesas e limitação da produção, a fim de evitar um excesso de oferta que possa agravar a queda dos preços.
Até setembro, Angola já comercializou cerca de 10 milhões de quilates, mantendo os restantes em armazém enquanto aguarda melhores condições de mercado até dezembro.
Os Estados Unidos continuam a ser o principal destino dos diamantes angolanos, representando cerca de 60% da procura mundial. Antes de chegarem ao mercado norte-americano, as pedras passam sobretudo pelo Dubai e pela Índia, onde são lapidadas.
