Os antigos 541 trabalhadores da EDIPESCA (Luanda) UEE caíram numa profunda desilusão após constatarem a ausência do coordenador da Comissão de Avaliação do Activo e Passivo da empresa, João Piedade, na Assembleia de Trabalhadores realizada na tarde de sexta-feira, 17 de Outubro de 2025. Segundo os trabalhadores, Piedade “tem a chave do processo”, sendo a sua ausência interpretada como um sinal de desinteresse.
A informação foi prestada à imprensa pelo porta-voz da Comissão dos 541 Trabalhadores, Damião Ngola Raul, no final do encontro.
Durante a assembleia, a ministra das Pescas e Recursos Marinhos, Carmen dos Santos, fez-se representar por Elsa Camarada, que, segundo os participantes, apresentou apenas considerações genéricas sobre o processo, sem oferecer respostas concretas sobre a liquidação das contribuições junto do Instituto Nacional de Segurança Social (INSS) — passo essencial para garantir as pensões de reforma dos 279 trabalhadores ainda em vida abrangidos na primeira fase.
Os familiares dos 135 trabalhadores falecidos exigiram também a definição de prazos para o processamento dos benefícios de pensão e indemnizações devidos aos seus entes queridos, incluindo viúvos, viúvas e, em alguns casos, herdeiros diretos.
Nos bastidores, circulam informações sobre possíveis acções de protesto caso o ministério não avance com soluções concretas. Os ex-funcionários pedem que a ministra Carmen dos Santos intervenha de forma urgente, alertando para a situação social crítica de muitos, cuja média de idade é de 67 anos.
O secretário da Comissão dos Trabalhadores, Avelino da Costa, defende que, caso o Ministério das Pescas e Recursos Marinhos (MINPERMAR) não tenha capacidade para resolver o impasse, o processo deve ser remetido ao IGAPE, entidade responsável pela gestão das dívidas públicas.
Os trabalhadores recordam que foram abandonados pela entidade empregadora em 1992, durante o período de transição do país de uma economia centralizada para o multipartidarismo. Em 2006, o Tribunal Provincial de Luanda proferiu um despacho favorável aos trabalhadores, mas a decisão nunca foi cumprida pela entidade empregadora, segundo Damião Ngola Raul.
