Os Presidentes de Angola e da África do Sul, João Lourenço e Cyril Ramaphosa, reafirmaram o compromisso de fortalecer as relações políticas e económicas entre os dois países, no quadro da visita de Estado que o Chefe de Estado angolano realizou a Pretória.
Durante as conversações, os dois estadistas abordaram o aprofundamento da cooperação nos domínios comercial, energético, industrial e de infra-estruturas, com vista ao reforço da integração económica na Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).
Entre as principais decisões destaca-se a transformação da Comissão Conjunta de Cooperação em Comissão Binacional (CBN), mecanismo que institucionaliza uma coordenação directa ao mais alto nível presidencial e visa dinamizar os projectos bilaterais.
O Presidente Cyril Ramaphosa salientou a importância de auditar e revitalizar os acordos existentes, de modo a convertê-los em acções concretas. Por seu lado, João Lourenço defendeu a diversificação das parcerias económicas e o reforço das sinergias regionais como factores essenciais para acelerar o desenvolvimento.
A cooperação energética constitui um dos eixos prioritários, com destaque para projectos de refinação de petróleo, gás natural e energias renováveis, bem como o fortalecimento das interligações no Southern African Power Pool (SAPP).
Na vertente das infra-estruturas, ambos os países reiteraram o apoio a iniciativas regionais como o Corredor do Lobito, que liga Angola à Zâmbia e à República Democrática do Congo, com potencial para impulsionar o comércio e a mobilidade na região.
A África do Sul é actualmente um dos principais parceiros comerciais de Angola no espaço da SADC, com trocas bilaterais superiores a 2 mil milhões de dólares em 2024, e as autoridades de ambos os países pretendem ampliar a cooperação nos sectores de logística, energia e indústria transformadora.
Segundo analistas, o reforço dos laços entre Angola e África do Sul poderá reposicionar a África Austral como um dos principais blocos económicos do continente, com maior capacidade de atrair investimento e promover o desenvolvimento sustentável.
A criação da Comissão Binacional simboliza um novo capítulo nas relações entre os dois países, baseado na complementaridade económica, cooperação estratégica e prosperidade partilhada.
