O crédito malparado da banca angolana registou uma redução para 16,9% do crédito bruto total no final de Junho de 2025, de acordo com os Indicadores de Solidez Financeira do Sector Bancário divulgados pelo Banco Nacional de Angola (BNA).
Segundo dados a que o Jornal Expansão teve acesso, o crédito vencido totalizou cerca de 1,5 biliões de kwanzas, correspondentes a 1,6 mil milhões de dólares norte-americanos, contra os 1,7 biliões Kz (1,8 mil milhões USD) registados em Dezembro de 2024.
As estatísticas indicam que, por cada 1.000 Kz de crédito concedido, 169 Kz eram considerados vencidos, um rácio inferior aos 192 Kz por mil registados em Dezembro de 2024. O volume total de crédito bruto correspondia, no final do semestre, a aproximadamente 11,2 mil milhões USD, dos quais 1,6 mil milhões USD se enquadram na categoria de crédito de cobrança duvidosa.
Esta evolução traduz uma melhoria na qualidade dos activos bancários, contrastando com a tendência verificada em 2024, quando a taxa de crédito vencido subiu de 15,6% para 19,2%, reflexo do aumento das taxas de juro de referência (Luibor) e da restrição monetária adoptada pelo BNA.
Recorde-se que, no ano passado, as taxas de juro do mercado interbancário (Luibor) registaram fortes oscilações, tendo a Overnight passado de 4% em Dezembro de 2023 para 32,6% em Setembro de 2024, estabilizando em 22,7% no final do ano. O aumento dos custos de financiamento agravou as dificuldades das famílias e empresas em cumprir as suas obrigações, contribuindo para o crescimento do crédito vencido no período anterior.
O relatório de solidez financeira do BNA sublinha que a actual tendência de descida do malparado reflecte maior prudência na concessão de crédito e melhor gestão de risco por parte das instituições bancárias, embora continue a ser uma das principais vulnerabilidades do sistema financeiro nacional.
