O antigo presidente da República Democrática do Congo (RDC), Joseph Kabila, foi esta terça-feira condenado à pena de morte pelo Tribunal Militar, acusado de crimes de guerra, traição e envolvimento na criação de um movimento insurreccional.
A sentença, inicialmente prevista para 12 de Setembro, foi adiada por mais de 18 dias, em função da ausência de novas testemunhas que deveriam depor a favor ou contra o ex-chefe de Estado.
Segundo a acusação, Kabila, que governou o país entre 2001 e 2019, terá desempenhado papel central na fundação da Aliança Rio Congo (AFC), alegadamente braço político do movimento rebelde M23, envolvido em conflitos armados no leste da RDC.
A decisão judicial provocou forte polémica. O secretário-geral adjunto do Partido do Povo para a Reconstrução e a Democracia (PPRD), partido fundado por Kabila, denunciou tratar-se de um “julgamento político” destinado a afastar de forma definitiva o antigo presidente da cena política congolesa.
Fontes políticas em Kinshasa avançam que o veredicto poderá agravar a tensão interna, numa altura em que o país enfrenta instabilidade no leste e desconfiança crescente em torno das instituições militares e judiciais.
