Madagáscar em convulsão: Governo cai após 22 mortos, mas Rajoelina recusa demitir-se

O Presidente de Madagáscar, Andry Rajoelina, anunciou esta segunda-feira, 29, a demissão do Primeiro-ministro Christian Ntsay e de todo o Executivo, mas resistiu à pressão da rua que exige também a sua saída.

A decisão acontece depois de três dias de protestos violentos em Antananarivo, que deixaram pelo menos 22 mortos e centenas de feridos às mãos das forças de segurança, segundo a ONU.

Num discurso de 17 minutos transmitido pela televisão estatal, Rajoelina apresentou condolências às famílias das vítimas, mas limitou-se a responsabilizar o Governo, recusando assumir culpas pelas mortes provocadas pela repressão.

«Ouvi as vossas vozes. Peço desculpa se membros do Governo não fizeram o trabalho esperado», disse, acrescentando que irá nomear um novo Executivo “livre da corrupção”.

Nas redes sociais, os manifestantes reagiram com decepção, acusando o Presidente de tentar ganhar tempo e fugir à responsabilidade. Um novo apelo foi lançado para manter as manifestações.

Enquanto isso, o Ministério dos Negócios Estrangeiros malgaxe desmentiu o balanço da ONU, mas não divulgou números alternativos, alimentando ainda mais desconfiança popular.

Os protestos, liderados pela juventude, começaram contra os cortes de água e electricidade, mas rapidamente se transformaram numa contestação política generalizada que agora ameaça a própria sobrevivência do regime de Rajoelina.

Licença: Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional (CC BY 4.0)
Os conteúdos editoriais abrangidos por esta política podem ser republicados gratuitamente, desde que sejam respeitadas as condições de atribuição.

Artigos Relacionados

A carregar artigos relacionados...