A jornalista angolana Hariana Salete Domingos da Silva Verás Victória, até recentemente acreditada junto da Casa Branca, viu suspenso o seu acesso às instalações presidenciais norte-americanas por alegadas violações às normas de transparência e imparcialidade editorial.
De acordo com o club-k, a decisão resulta de investigações que concluíram que a profissional estaria a actuar em alinhamento com interesses do Governo de Angola, contrariando os princípios éticos exigidos aos correspondentes internacionais.
Hariana Verás havia obtido, em Março de 2021, a credencial conhecida como “Hard Pass”, que permite acesso ilimitado às instalações da Casa Branca, incluindo a sala de imprensa e áreas reservadas a jornalistas acreditados. Antes disso, passou por um período de avaliação de três anos por parte do gabinete de imprensa da presidência norte-americana e dos Serviços Secretos.
Durante o período em que exerceu a função, a jornalista destacou-se como a única profissional africana com acesso directo à Casa Branca, ao Senado e ao Pentágono. Contudo, nos últimos meses, o seu comportamento levantou dúvidas entre as autoridades competentes.
Em conferências de imprensa, Hariana terá formulado questões que induziam elogios ao Governo de Angola, particularmente ao Presidente João Lourenço. A situação ganhou maior relevo a 28 de Junho de 2025, durante uma cerimónia na Sala Oval em que o então Presidente norte-americano, Donald Trump, mediava um pré-acordo entre a República Democrática do Congo e o Ruanda. Na ocasião, a jornalista questionou Trump sobre a possibilidade de convidar João Lourenço para a assinatura do acordo de paz, tendo o líder norte-americano respondido positivamente.
As declarações foram amplamente divulgadas pela imprensa estatal angolana, sendo interpretadas como instrumento de propaganda política, o que motivou a reavaliação do papel da correspondente.
As investigações apuraram ainda que, dias antes do referido evento, Hariana teria viajado à República Democrática do Congo em avião privado disponibilizado pelo Governo de Angola, reforçando suspeitas de vínculo institucional não declarado.
Nos termos dos regulamentos da Casa Branca, os jornalistas acreditados devem actuar com independência editorial, declarar relações institucionais que possam comprometer a imparcialidade e abster-se de representar interesses de governos estrangeiros.
A violação destas normas levou à suspensão da acreditação de Hariana Verás, com a consequente perda de acesso à Casa Branca.
Internamente, a situação gerou também repercussões na Televisão Pública de Angola (TPA), à qual a profissional se encontra vinculada. Fontes próximas indicam que a direcção da TPA estuda a revisão do seu contrato, atendendo às despesas associadas. Enquanto outros correspondentes recebem cerca de 500 euros mensais, Hariana mantinha custos mensais acima de 18 mil dólares, justificados como despesas de estúdio e produção nos Estados Unidos.
De regresso a Luanda, a jornalista encontra-se em negociações para manter o vínculo laboral e evitar cortes que, segundo as mesmas fontes, são considerados prováveis.
