O presidente do Instituto de Gestão de Ativos e Participações do Estado (IGAPE), Álvaro Fernão, escusou-se, esta terça-feira, a indicar prazos para a privatização da Unitel, cuja entrada em bolsa estava inicialmente prevista para o primeiro semestre de 2025.
A posição foi tornada pública após a sessão de apresentação da Oferta Pública de Venda (OPV) do Banco de Fomento Angola (BFA), operação que prevê a alienação de 29,75% do capital do banco, repartido entre a Unitel (15%) e o Banco Português de Investimento (BPI), com 14,75%.
Segundo Álvaro Fernão, o programa de privatizações entrou na fase de alienação dos ativos “mais valiosos e mais complexos”, recordando que até 2026 o Executivo terá margem para concluir o calendário definido. “Este ano privatizámos três fábricas relevantes no mercado e agora avançamos com a OPV do BFA, que foi o campeão dos lucros em 2024”, disse.
Sobre a Unitel, o responsável limitou-se a sublinhar que o processo requer “trabalho estruturado”, sem adiantar novas previsões.
Já o presidente da operadora de telecomunicações, Aguinaldo Jaime, afirmou que as expectativas em torno da operação do BFA são “muito altas”, considerando tratar-se de um banco “sistémico, altamente rentável e com níveis de risco aceitáveis”. Para o gestor, a OPV representa “um marco no mercado de capitais angolano”, capaz de atrair investidores e democratizar o acesso ao capital.
A privatização da Unitel foi inscrita no Programa de Privatizações (ProPriv), que visa reduzir a presença do Estado em setores estratégicos e envolver investidores privados. Um despacho presidencial de agosto de 2024 definiu a venda de 15% do capital através de uma Oferta Pública Inicial (IPO) na Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA).
A operadora passou a ser integralmente estatal depois da nacionalização das participações de Isabel dos Santos e do general Leopoldino Fragoso do Nascimento “Dino”, ambos próximos do falecido ex-Presidente José Eduardo dos Santos.
Apesar de o secretário de Estado para as Finanças, Ottoniel dos Santos, ter assegurado em dezembro de 2024 que a privatização ocorreria no primeiro semestre de 2025, o IGAPE prefere não comprometer-se com novas datas, remetendo a decisão para “tempo oportuno”.
