Com um stock avaliado em 60 mil milhões de dólares, Angola aposta numa estratégia de gestão mais equilibrada da dívida pública, com enfoque na extensão dos prazos e na redução dos custos financeiros, numa tentativa de mitigar a concentração de pagamentos no curto prazo.
De acordo com o director-geral da Unidade de Gestão da Dívida Pública (UGDP), Dorivaldo Teixeira, que falava no Angola Economic Forum (AEF 2025), a dívida pública angolana está avaliada em 60 mil milhões de dólares, dos quais 45 mil milhões correspondem a dívida externa, com um prazo médio de reembolso de nove anos.
“O desafio passa por mitigar a concentração da dívida angolana no curto prazo. A estratégia tem permitido diluir vencimentos e tornar o perfil da dívida mais sustentável”, afirmou o responsável.
O gestor destacou que a dívida externa encontra-se hoje mais desconcentrada, fruto de um processo gradual de “higienização” conduzido pela UGDP, que visa alongar maturidades e reduzir riscos de liquidez.
No plano interno, a maturidade média da dívida passou de dois para três anos, reflectindo os primeiros resultados da estratégia implementada. Paralelamente, a UGDP trabalha na redução progressiva das taxas de juro, processo dependente da estabilização da inflação e do reforço da tesouraria do Estado.
Em relação à dívida interna reconhecida pela Inspecção-Geral da Administração do Estado (IGAE), está em curso um plano de liquidação anual de 300 mil milhões de kwanzas (cerca de 283 milhões de euros). Segundo Dorivaldo Teixeira, mais de metade desse valor já foi pago, com prioridade para dívidas de menor dimensão.
A gestão da dívida pública angolana continua a ser um desafio, num contexto em que o país procura equilibrar as necessidades de financiamento externo com a garantia de sustentabilidade fiscal a médio prazo.
