O grupo armado M23, apoiado por Ruanda, é acusado de ter executado sumariamente mais de 140 civis, na sua maioria da etnia hutu, em pelo menos 14 aldeias do território de Rutshuru, no leste da República Democrática do Congo, segundo a Human Rights Watch (HRW). Há indícios de que o número de mortos ultrapasse 300, num dos piores massacres desde o ressurgimento do movimento rebelde em 2021.
Os ataques, ocorridos entre 10 e 30 de julho, atingiram agricultores e moradores locais, incluindo mulheres e crianças, em comunidades próximas ao Parque Nacional de Virunga. Testemunhas e fontes das Nações Unidas apontam que membros das Forças de Defesa de Ruanda (FDR) participaram diretamente nas operações ao lado do M23.
A HRW afirma que os crimes fazem parte de uma ofensiva contra as Forças Democráticas para a Libertação do Ruanda (FDLR), grupo armado hutu formado por elementos ligados ao genocídio de 1994. No entanto, a maioria das vítimas era civil, levantando sérias suspeitas de limpeza étnica.
A organização documentou pelo menos 141 mortes confirmadas e dezenas de desaparecidos, enquanto o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos estima mais de 319 mortos entre 9 e 21 de julho. Os corpos foram abandonados nos campos ou lançados no rio Rutshuru, segundo relatos.
Clémentine de Montjoye, investigadora sénior da HRW, acusa os comandantes do M23 e autoridades ruandesas de responsabilidade direta: “A menos que esses crimes sejam investigados e punidos, as atrocidades vão continuar”, alertou.
Ruanda nega envolvimento e atribui as mortes a grupos armados rivais, mas imagens de satélite e depoimentos reforçam a versão da HRW. O Conselho de Segurança da ONU e governos parceiros são instados a impor novas sanções e levar os autores a julgamento por crimes de guerra.
Os massacres ocorrem poucas semanas após um acordo preliminar de paz mediado pelos Estados Unidos, que previa a retirada das tropas ruandesas do Congo e a neutralização das FDLR. Para já, a realidade no terreno mostra um agravamento da violência e um padrão alarmante de execuções sumárias contra civis.
