As partes civis no processo por traição contra o ex-Presidente da República Democrática do Congo (RDC), Joseph Kabila, exigem uma indemnização mínima de 25 mil milhões de dólares, alegando ter sofrido violência às mãos dos rebeldes do leste do país, região rica em minerais.
Kabila é acusado de assassinato, estupro e tortura, supostamente por apoiar os rebeldes do M23, grupo que controla vastas áreas do Kivu e que conta com o apoio do Ruanda.
O atual chefe de Estado, Félix Tshisekedi, acusa o seu antecessor de ser o “cérebro” por trás da insurgência. Em paralelo, algumas partes civis vão mais longe e classificam Kabila como “cidadão ruandês”, pedindo que seja condenado também por espionagem.
As províncias orientais de Kivu do Norte, Kivu do Sul e Ituri, epicentros do conflito, reclamam uma compensação adicional de 21 mil milhões de dólares, além da apreensão imediata dos ativos bancários do antigo Presidente.
Depois de dois anos em exílio voluntário na África do Sul, Kabila regressou a Goma em maio, pouco depois da captura da cidade pelo M23, mas está a ser julgado à revelia.
O ex-Chefe de Estado nega todas as acusações, rejeitando qualquer ligação com o M23 ou com a Aliança do Rio Congo (AFC), estrutura rebelde mais ampla que integra o movimento e outras milícias armadas. Classificou ainda o processo como “arbitrário”, acusando os tribunais militares de serem usados como “instrumentos de opressão”.
O procurador-geral das Forças Armadas deverá apresentar as alegações finais esta sexta-feira, 22, num julgamento que poderá redefinir as tensões políticas no país.
