O músico angolano Mário Gama defendeu, no Porto, a necessidade de se reforçar a formação artística das novas gerações e promover mais ações de estímulo à Lusofonia a nível local.
Em declarações ao Jornal Comunidades Lusófonas, o artista, considerado um dos patriarcas da música angolana, afirmou que “a Lusofonia não pode cingir-se apenas aos Estados Centrais”, sublinhando que as autarquias e poderes locais “podem desempenhar um papel crucial” através do estabelecimento de parcerias.
Natural de Luanda, Mário Gama recordou que nasceu numa família humilde, tendo iniciado cedo o contacto com a música. Em 1968, foi mobilizado para a Força Aérea Portuguesa, na base aérea da Ota, onde conciliou a carreira militar com a atividade artística.
O autor da emblemática canção “Presidente”, em homenagem ao primeiro Presidente de Angola, Agostinho Neto, revelou que a obra foi concebida em 1971, durante a operação “Nó Górdio”, em Moçambique, inspirada numa música popular cubana adaptada por Carlos Puebla para a canção “Hasta Siempre, Comandante”, dedicada a Che Guevara.
Além de Angola, Mário Gama desenvolveu uma intensa ligação ao meio artístico português, convivendo com nomes como Manuel Freire, Zeca Afonso e Adriano Correia de Oliveira. Gravou o primeiro disco com o maestro Pedro Osório e colaborou internacionalmente com artistas como Percy Sledge e Pablo Milanés.
Questionado sobre o conselho que deixaria aos jovens criadores angolanos e lusófonos, o músico afirmou que “não podem apenas guiar-se pelo empirismo”, defendendo a importância da formação académica e do estudo das artes em Conservatórios.
Paralelamente à música, Mário Gama manteve fortes laços com a aviação, tendo integrado mais tarde a Força Aérea Nacional de Angola, onde contribuiu para a formação de novas gerações de pilotos.
