Riquinho nega apoio do Executivo ou do MPLA no projecto de entrega de viaturas a taxistas

O militante do MPLA e empresário do sector do entretenimento, Henrique Miguel “Riquinho”, negou, que o projecto de distribuição de 500 viaturas ao sector do táxi esteja a ser financiado pelo Executivo angolano ou pelo partido no poder, contrariando alegações que circulam em diversos meios da opinião pública.

Segundo noticiou a Deutsche Welle (DW), o referido projecto surge na sequência da greve dos taxistas que, no passado mês de Julho, paralisou a circulação em Luanda e outras províncias do país, tendo causado sérios constrangimentos na mobilidade urbana.

A iniciativa, de acordo com o promotor, prevê a entrega de 25 viaturas por semana a motoristas de táxi, em regime de crédito com prestações mensais durante cinco anos, findos os quais os beneficiários passam a ser proprietários dos veículos.

A proposta visa promover a mobilidade social no seio da classe, permitindo que motoristas se tornem proprietários, cobradores ascendam à função de motoristas, e os lotadores passem à categoria de cobradores.

O projecto contempla motoristas com experiência comprovada entre cinco a dez anos, devidamente registados em associações representativas e com quotas regularizadas.

As viaturas em questão cobrarão 250 kwanzas por corrida, valor inferior à tarifa oficial de 300 kwanzas, o que visa tornar o transporte urbano mais acessível à população.

O empresário assegurou ainda que cerca de 100 viaturas já se encontram em território nacional e que serão distribuídas através de lista pública publicada na imprensa, com uma média de 100 unidades mensais nos próximos dois meses.

Reacções e suspeitas

A iniciativa, embora bem acolhida por alguns sectores de taxistas, levanta interrogações sobre a sua sustentabilidade e eventuais motivações políticas.

O director de intercâmbio e relações institucionais da Associação dos Motoristas Benquistos Associados Independentes de Angola (A-MBAIA), Adriano Cachitolo, alertou para a necessidade de transparência no processo e estruturação das condições de pagamento.

Por outro lado, o activista cívico Alexandre Bolívar manifestou reservas quanto aos reais propósitos do projecto, considerando tratar-se de uma medida paliativa que visa atenuar, de forma temporária, as manifestações da classe dos taxistas.

Na sua análise, o gesto não responde às principais exigências constantes do caderno reivindicativo, destacando que a entrega de viaturas não soluciona os problemas estruturantes do sector, como a escalada dos preços dos combustíveis e outras dificuldades operacionais enfrentadas pelos profissionais.

Segundo estimativas, cada viatura da marca Toyota Hiace ronda os 35.200 euros (cerca de Kz 31,7 milhões), totalizando um investimento de cerca de 17,6 milhões de euros (aproximadamente Kz 15,8 mil milhões) para a aquisição das 500 unidades previstas.

Empresário rejeita ligação com o Governo

O empresário Riquinho negou qualquer apoio do Executivo, esclarecendo que não recebeu viaturas do Governo e classificando as informações veiculadas como boatos sem fundamento.

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