África perde mais de 580 mil milhões de dólares por ano devido à corrupção e aos fluxos financeiros ilícitos

O Presidente do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), Akinwumi Adesina, apelou, esta semana, aos Governos africanos para reforçarem o combate à corrupção e aos fluxos ilícitos de capitais, que custam ao continente mais de 580 mil milhões de dólares norte-americanos por ano.

Falando numa conferência realizada em Maputo, Adesina sublinhou que a contenção das saídas ilegais de recursos financeiros é crucial para garantir a sustentabilidade das economias africanas, cuja dívida colectiva se aproxima dos 2 biliões de dólares.

Segundo a agência Bloomberg, o responsável do BAD defendeu que, além de mecanismos para reestruturação da dívida e acesso a financiamentos concessionais, é essencial “fechar os vazamentos” que drenam os cofres públicos.

“Não importa quanta água se deita num balde, se este estiver a pingar”, exemplificou Adesina, para reforçar a urgência da acção. “Se for possível reduzir a fuga ilícita de capitais, bem como a corrupção, África poderá manter muitos desses recursos e satisfazer as suas necessidades em termos de infra-estruturas”, acrescentou.

Dados divulgados pelo BAD em Maio deste ano indicam que África perde cerca de 1,6 mil milhões de dólares por dia devido a chamadas “fugas financeiras”. Só os fluxos ilícitos representam uma perda anual de 90 mil milhões de dólares, agravados pelos 275 mil milhões de dólares transferidos por empresas multinacionais que desviam lucros e os 148 mil milhões desviados por corrupção.

O continente africano enfrenta ainda um défice anual de infra-estruturas estimado em até 170 mil milhões de dólares, considerado vital para impulsionar o desenvolvimento económico e a geração de emprego.

Por outro lado, um relatório do Centro de Política de Desenvolvimento Global da Universidade de Boston, em parceria com o Instituto para a Justiça Económica, alertou que o custo do serviço da dívida em África encontra-se no nível mais elevado desde a crise do início dos anos 2000.

Mais de metade dos países africanos, de acordo com o documento, estão actualmente a despender mais recursos com o pagamento de juros do que com a saúde pública.

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