Dois membros do Bureau Político da Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), Laiz Eduardo e Ndonda-a-Nzinga — este último também Secretário Nacional de Informação e porta-voz da formação política — endereçaram uma carta ao presidente do partido, Nimi-a-Simbi, exigindo a convocação, até ao final de Agosto, das reuniões do Bureau Político e do Comité Central.
De acordo com o documento, citado pela Rádio Correio da Kianda, caso o pedido não seja acatado, os militantes e quadros poderão recorrer aos estatutos para destituir o actual líder.
Kiaku Samuel, igualmente membro do Bureau Político e do Comité Central, reiterou o apelo, sublinhando que as reuniões têm carácter estatutário, e advertiu que o não cumprimento poderá ter consequências.
Para o politólogo Adálio Francisco, a saída do antigo presidente Lucas Ngonda não resolveu os problemas internos da FNLA. Recordou que Ndonda-a-Nzinga foi porta-voz do congresso que elegeu Nimi-a-Simbi e questionou as razões que impedem a estabilidade interna da formação.
O académico salientou que, à luz dos estatutos, é possível a destituição do líder e levantou dúvidas sobre o vigor físico e político de Nimi-a-Simbi para conduzir o partido no actual contexto político.
Adálio Francisco defendeu ainda a necessidade de a FNLA encontrar uma figura capaz de congregar a massa militante ou recorrer a personalidades da sociedade civil, de modo a evitar a eventual extinção do partido nas eleições de 2027.
