A pior crise que o governo criou em Angola é a fome. A fome não é apenas uma carência alimentar — ela é um grito de desespero social. Ela leva consigo a morte física, mas também destrói a dignidade humana, esvazia a esperança e faz com que as pessoas percam o medo de enfrentar qualquer coisa, inclusive o próprio sistema.
O governo insiste em rotular o povo de “vândalo” quando este se manifesta, mas ignora o principal motivo por trás dessas manifestações: a fome que assola milhares de lares. Ao afirmar que “a fome é relativa”, demonstra total insensibilidade e distanciamento da realidade vivida pela maioria dos cidadãos.
Um país pobre, com tantos recursos naturais como Angola, deveria ter como prioridade o combate à fome. Mas isso exige políticas públicas bem estruturadas, vontade política e combate sério à corrupção. Fome não é acidente natural — é resultado de uma governação mal planejada, injusta e centrada em interesses próprios.
Falar de fome é expor um governo que falhou em cumprir a sua obrigação mais básica: alimentar o seu povo. E um governo que permite a fome em tempos de paz é tão violento quanto aquele que dispara contra civis.
A fome é uma arma silenciosa, criada por uma má governação.
por José Juliano sakalumbo
