Marcolino Moco liga aumento do combustível a estratégia para criar convulsão social

O antigo primeiro-ministro Marcolino Moco voltou a questionar a narrativa oficial em torno dos actos classificados como “vandalismo” ocorridos durante as recentes paralisações de taxistas, insinuando que pode estar em curso um plano deliberado para criar instabilidade no país.

Num texto publicado nas suas redes sociais, Moco defende que o assunto exige investigação jornalística independente, sobretudo “se as instituições competentes são inibidas de apurar a verdade e, pelo contrário, colaboram com uma mentira tão assassina quanto foi a do fraccionismo”.

O ex-governante lembra que, a 10 de Julho, alertou para a possibilidade de que o aumento do preço do gasóleo e das tarifas de táxi — em plena crise de acesso a bens essenciais — fizesse parte de um esquema para provocar convulsões sociais. Segundo Moco, tal cenário poderia servir de pretexto para travar a consolidação do Estado de Direito e abrir caminho a novos mandatos para João Lourenço.

Sem descartar hipóteses mais graves, Moco sugere que, caso o Presidente não esteja ciente desta “maquinação”, o plano possa ter origem em sectores ligados aos serviços de inteligência. Cita, para tal, as obras e palestras do ex-oficial Miguel Ângelo, que associa estas movimentações ao general Fernando Garcia Miala, figura já implicada em operações controversas no tempo de José Eduardo dos Santos.

Moco aponta contradições nos relatos oficiais e cita testemunhos de cidadãos que descrevem a acção de “jovens” a atacar armazéns e grandes superfícies comerciais, incitando a população, “sabidamente faminta”, a apropriar-se dos bens. Os tumultos resultaram, segundo o ministro do Interior, na morte de 30 pessoas — entre elas um agente policial e uma mulher abatida pelas costas enquanto fugia. O caso, ironiza Moco, foi descrito pelo jurista David Mendes como um acto de “legítima defesa” por parte da polícia.

O antigo primeiro-ministro sustenta ainda que não existiu qualquer pressão do FMI ou de credores internacionais que justificasse a implementação de medidas económicas “tão draconianas”, especialmente a poucos meses das eleições.

Na parte final, Moco reage a alegadas declarações de Paulo Tjipilica, ex-ministro e provedor de Justiça, que o acusaria de “atrapalhar” a liderança de João Lourenço com propostas de pacificação. “Mais uma vez sou intimidado”, escreve, acrescentando com sarcasmo: “A menos que tenha havido alguma pistola apontada.”

Marcolino Moco defende apuramento da verdade sobre actos de vandalismo

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