O presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior, veio a público este sábado desmentir os números oficiais sobre os tumultos que ocorreram no final de julho, afirmando que o balanço real das vítimas é “superior” ao divulgado pelas autoridades angolanas.
Falando na província do Icolo e Bengo, durante a inauguração do comité provincial do seu partido, Costa Júnior fez duras críticas à forma como as forças de defesa e segurança atuaram contra os manifestantes, resultando num cenário de violência e repressão que “não pode ser legitimado”.
O líder da principal força da oposição disse que a origem dos protestos, que tiveram como epicentro Luanda, foi uma paralisação dos taxistas contra o aumento dos preços dos combustíveis e das tarifas de transporte público — uma situação que, segundo ele, o Governo falhou em comunicar e gerir adequadamente.
Costa Júnior enfatizou que o direito à manifestação é constitucional e não pode ser cerceado, mas lamentou que a prática seja outra, especialmente quando os protestos não são organizados pelo partido no poder.
“Quando o MPLA se manifesta tem protecção e pode cumprir os seus percursos, mas quando são os outros, tudo é impedido, proibido, reprimido com violência. Isto não é aceitável num Estado democrático”, denunciou.
O líder da UNITA aproveitou ainda para apontar o dedo ao monopólio do sector dos combustíveis, classificando-o como um entrave ao desenvolvimento do país, e criticou o Executivo por se manter agarrado a “velhas teorias” e “economia centralizada”, enquanto se diz próximo de mercados ocidentais.
Costa Júnior também responsabilizou os órgãos públicos de comunicação social pela “desinformação” sobre a greve dos taxistas, que convocava a população a ficar em casa durante os dias de paralisação.
Sobre a ação das forças de defesa e segurança, disse que elas são profissionais e têm treino, pelo que não justifica o uso da “bala fácil” como resposta inicial, condenando a violência nas buscas domiciliares e a retirada forçada de pessoas das suas casas.
“Não podemos construir um país assim, com execuções extrajudiciais e desrespeito pela Constituição”, alertou.
Ainda que condene os atos de pilhagem, Costa Júnior destacou que por trás daqueles episódios estão “razões sociais profundas”: fome, exclusão, desemprego e desigualdade extrema, que não podem ser ignorados pelos governantes.
Para ele, é urgente que o poder aceite dialogar com todos os sectores e faça “uma profunda reflexão sobre a realidade do país”.
As autoridades angolanas registaram oficialmente 30 mortos, mais de 200 feridos e cerca de 1.500 detenções durante os tumultos, números que a UNITA considera subestimados.
