O antigo Primeiro-Ministro da República de Angola, Marcolino José Carlos Moco, reagiu esta semana, através das redes sociais, ao recente discurso à Nação proferido pelo Presidente da República, João Lourenço, destacando a importância da comunicação presidencial, ao mesmo tempo que apelou a reformas profundas no sistema político nacional.
Numa publicação partilhada nas redes sociais, Marcolino Moco considerou que o Chefe de Estado “fez bem em falar e melhor do que se podia esperar”, referindo que o tom do pronunciamento foi mais moderado do que em intervenções anteriores. Destacou ainda que o Presidente da República não responsabilizou de forma directa a oposição, nem o líder da UNITA, Adalberto Costa Júnior, pelos actos de vandalismo registados nos últimos protestos populares.
Contudo, o antigo dirigente sublinhou que as medidas paliativas anunciadas pelo Executivo não resolvem a origem do descontentamento social. “Nem que se referisse ao menos uma vez à causa mais imediata do ‘vandalismo’, que é a fome”, disse, acrescentando que as soluções pontuais não eliminarão a raiz dos problemas que persistem no país.
Marcolino Moco defende que a única via legítima para devolver o Estado ao povo angolano passa por “eleições livres, justas e transparentes”, a decorrerem com garantias de imparcialidade e respeito pelos resultados. Para o antigo Primeiro-Ministro, é necessário assegurar que os intervenientes políticos – sejam vencedores ou vencidos – sejam protegidos de perseguições ligadas ao passado.
“A construção de uma nova Angola exige compromisso e uma publicitação confiável das intenções governativas, a partir de agora e com consolidação nas eleições de 2027”, acrescentou.
Alertou ainda para a concentração excessiva de poderes na figura do Presidente da República, advertindo que apenas este poderá evitar que soluções “radicais”, que circulam nas redes sociais, sejam concretizadas, contribuindo para agravar ainda mais o cenário nacional.
Finalizou lançando uma interrogação, com sugestão de apelo às autoridades competentes: “A não ser que o Presidente, com ou sem a sua ciência, esteja a ser empurrado por alguém ou alguma força que queira aproveitar-se dessas nossas ‘idosas’ desgraças. Então, investigue-se, que cheira a isso”, concluiu.
A publicação foi acompanhada de uma citação de Nelson Mandela: “Devemos promover a coragem, onde houver medo, promover o acordo onde exista conflito e inspirar esperança onde há desespero.”
