O Bureau Político do Comité Central do MPLA emitiu este domingo um comunicado oficial em que condena com veemência os actos de vandalismo registados nos últimos dias em diversos pontos da província de Luanda, durante a paralisação convocada por taxistas, e considera que tais acções colocam em causa a segurança pública e a estabilidade nacional.
No documento, o partido no poder descreve os incidentes como uma tentativa deliberada de comprometer o ambiente de paz e ofuscar as celebrações dos 50 anos da Independência Nacional, previstas para Novembro deste ano. Segundo o MPLA, os actos causaram prejuízos materiais significativos ao Estado, famílias e empresas, além de afectarem a ordem pública.
Sem citar responsáveis directos, o Bureau Político sugere que jovens estão a ser “manipulados por grupos, movimentos ou indivíduos que incitam à violência e ao vandalismo” e apela a uma postura cívica, pacífica e patriótica. O partido enfatiza que tais actos “não representam os valores do MPLA, nem os do povo angolano”.
A nota reitera ainda o pedido às autoridades para que intensifiquem as investigações e responsabilizem, de forma célere, os autores morais e materiais dos distúrbios, num momento em que o debate público sobre a subida dos combustíveis, o custo de vida e a falta de transporte público tem reacendido tensões sociais.
O comunicado surge num contexto de crescente insatisfação popular, com protestos organizados por operadores de táxi a gerar bloqueios em estradas, confrontos com a polícia e relatos de repressão, numa capital já marcada por problemas crónicos de mobilidade urbana e desemprego juvenil.
Enquanto o Executivo apela à serenidade, movimentos da sociedade civil e figuras da oposição têm alertado para o risco de criminalizar o protesto social, sobretudo quando este decorre de reivindicações legítimas sobre questões básicas como transporte, educação e alimentação.
O MPLA conclui o comunicado com apelos à calma, à unidade nacional e à paz, reafirmando o seu compromisso com uma Angola “mais justa, inclusiva e solidária”.
