O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, afirmou que a destruição provocada pelos protestos pós-eleitorais em algumas zonas da província da Zambézia foi superior à registada durante os 16 anos de guerra civil no país.
Durante uma visita à província, Chapo referiu-se às localidades de Morrumbala, Mocubela e Namacurra, afirmando que os danos atingiram infra-estruturas públicas e privadas, incluindo hospitais, escolas e estabelecimentos comerciais. A declaração foi feita após uma visita de três dias à região.
Segundo o Presidente, durante a guerra entre a FRELIMO e a RENAMO, entre 1977 e 1992, algumas localidades chegaram a ser ocupadas, mas as infra-estruturas permaneceram em funcionamento. Chapo afirmou que, nos protestos pós-eleitorais, houve casos em que localidades ficaram praticamente destruídas.
Os protestos começaram após as eleições gerais de 9 de Outubro de 2024, cujos resultados deram a vitória a Daniel Chapo e à FRELIMO. O processo eleitoral foi contestado por sectores da oposição, tendo Venâncio Mondlane convocado manifestações e paralisações.
Apelo contra a extrema-direita
Em Joanesburgo, durante uma cimeira dos movimentos de libertação da África Austral, Chapo apelou à união dos partidos históricos da região perante o que classificou como uma ameaça crescente da extrema-direita.
O Presidente moçambicano afirmou que esses movimentos procuram chegar ao poder através de grupos que, segundo ele, defenderiam a instalação de “governos fantoches”.
Chapo acusou ainda grupos de extrema-direita de utilizarem redes sociais e inteligência artificial para difundir desinformação e discursos de ódio. As declarações foram feitas num encontro promovido pelo Congresso Nacional Africano (ANC), na África do Sul.
As manifestações pós-eleitorais em Moçambique foram marcadas por confrontos, mortes e destruição de património. Organizações de direitos humanos também documentaram alegadas violações cometidas durante a resposta das forças de segurança.
