O grupo chinês Sinohydro vai investir mais de 100 milhões de dólares norte-americanos (aproximadamente 83 mil milhões de kwanzas) no sector agrícola angolano, no âmbito de um novo acordo assinado na quinta-feira à noite, em Luanda, com o Governo angolano. O projecto visa o desenvolvimento de novas fontes de produção de grãos, nomeadamente soja e milho, em seis províncias do leste do país.
Com este entendimento, Angola concedeu à Sinohydro uma concessão isenta de impostos por 25 anos, abrangendo 30 mil hectares de terras agrícolas. Os lotes serão divididos entre 500 a 1.000 hectares, destinados tanto a explorações comerciais como a iniciativas lideradas por comunidades locais.
Segundo a agência Bloomberg, o investimento marca o segundo grande acordo agrícola entre Angola e a China em menos de uma semana, a seguir ao anúncio de um investimento de 250 milhões de dólares por parte de uma subsidiária da estatal chinesa Citic Ltd., para o cultivo em larga escala de soja e milho no país.
Durante a cerimónia de assinatura, o Director-Geral da Sinohydro, Li Xunfeng, destacou o potencial agrícola do território angolano:
“Angola tem vastas terras, mas carece de infraestrutura básica. Este é o momento certo para investir; o ambiente aqui é melhor do que em muitos países africanos.”
A gigante chinesa, que já actua em Angola há mais de 20 anos no sector das infraestruturas, pretende utilizar equipamentos existentes no país para acelerar a instalação da logística e infraestruturas agrícolas essenciais ao arranque do projecto.
De acordo com o ministro da Agricultura, Isaac dos Anjos, cerca de 60% da produção será exportada para a China, enquanto o restante se destinará ao mercado interno. Para além disso, está prevista a criação de um centro de pesquisa e testes de sementes, com o objectivo de melhorar a produtividade e atrair outros operadores do agronegócio chinês.
O Executivo angolano vê este acordo como um catalisador para atrair mais capital chinês para o sector agropecuário. Estão, por isso, a ser preparadas novas áreas com infraestruturas básicas e acessos para futuros projectos de grande escala.
