O Movimento dos Estudantes Angolanos (MEA) denunciou esta terça-feira, 22, durante uma conferência de imprensa realizada na sua sede, no bairro Palanca, a actuação “arbitrária” do Governo Provincial de Luanda (GPL), por ter alterado unilateralmente a rota da manifestação nacional ocorrida no sábado, 19 de Julho.
Segundo os organizadores, o percurso previamente autorizado previa a concentração no Ministério das Finanças, mas foi desviado pelas autoridades para o Largo do Sueto, sem qualquer justificação plausível. O MEA considera a medida uma violação clara do direito constitucional à manifestação e um sinal de desrespeito à juventude angolana.
“O Governo de Luanda, ao agir dessa forma, mostra que não está interessado em dialogar com a juventude. Pelo contrário, opta por estratégias de intimidação e silenciamento”, afirmou um dos porta-vozes do movimento.
O MEA voltou a criticar duramente o aumento das propinas em 20%, o encarecimento dos combustíveis e o agravamento do custo de vida, apontando essas medidas como insensíveis à realidade da maioria das famílias angolanas. “A educação não pode ser um privilégio de uma minoria, mas sim um direito garantido a todos”, reiteraram os estudantes.
Durante o encontro com os jornalistas, o movimento destacou ainda a adesão de várias organizações da sociedade civil que realizaram manifestações simultâneas em outras províncias, o que, segundo os responsáveis do MEA, reflecte um sentimento de insatisfação generalizada no seio da população.
A direcção do movimento estudantil aproveitou para anunciar que estão a ser preparadas novas acções de protesto, nas próximas semanas, com o objectivo de pressionar o Executivo a recuar nas políticas que, no entender do MEA, estão a agravar as desigualdades sociais e a comprometer o futuro dos jovens angolanos.
“O silêncio deixou de ser uma opção. Vamos continuar nas ruas, com civismo e firmeza, até que a dignidade dos estudantes e do povo seja respeitada”, concluiu o comunicado.
