O bureau sindical da empresa Transportes Colectivos Urbanos de Luanda (TCUL) anunciou, esta terça-feira, a desistência da greve inicialmente prevista para a madrugada de quarta-feira, após reunião com o ministro dos Transportes, Ricardo de Abreu, e a direcção da empresa, que garantiram o pagamento do subsídio de férias e do salário em atraso ainda durante o mês de Julho.
A decisão foi tomada horas depois do anúncio público da paralisação, feito pelo sindicato, ligado ao Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes Rodoviários e Afins (STTRAL), que havia convocado os profissionais da empresa para uma greve nacional por tempo indeterminado, em protesto contra atrasos salariais e falta de pagamento de subsídios.
De acordo com uma comunicação interna dirigida aos trabalhadores, o Ministério dos Transportes comprometeu-se a iniciar o pagamento do subsídio de férias a partir de 16 de Julho de 2025, enquanto o salário de Junho deverá ser regularizado no dia 25 do mesmo mês. Já o vencimento referente a Julho será pago até 15 de Agosto.
Apesar do recuo, alguns funcionários manifestaram descontentamento com a decisão do sindicato, alegando que existem outras reivindicações pendentes, para além dos retroactivos em falta, e defendem a necessidade de melhorias estruturais na empresa.
Contactado pelo Novo Jornal, o secretário-geral do bureau sindical da TCUL, Armando Augusto, não esteve disponível para prestar declarações.
A empresa TCUL, criada em Fevereiro de 1988 como Unidade Económica Estatal (UEE), enfrenta, segundo a sua direcção, uma grave crise financeira, sendo que, do total da frota, apenas 73 autocarros se encontram actualmente em funcionamento pleno.
O primeiro secretário da Central Geral de Sindicatos Independentes e Livres de Angola (CGSILA), José António Panzo, afirmou anteriormente que a situação financeira da empresa resulta de uma gestão deliberada, criticando o facto de os trabalhadores não estarem a receber os subsídios de férias de forma regular.
