O músico angolano Tf do Poster, uma das vozes em ascensão da nova geração, criticou duramente o silêncio de figuras públicas perante a actual crise social e económica que afecta o país. Em nota enviada ao portal Hold On Angola, o artista lamenta a postura de influenciadores e artistas consagrados que, segundo diz, optam pela vaidade e pela fama, ignorando os desafios enfrentados pela população.
A recente subida do preço do gasóleo para 400 kwanzas e o consequente aumento da tarifa de táxi para 300 kwanzas são, na visão do artista, exemplos claros da pressão que recai sobre os cidadãos mais vulneráveis. “Nos palcos dizem que amam o povo, mas esse amor não se sente”, escreveu.
Tf do Poster defende que é tempo de os angolanos começarem a responsabilizar os ídolos que se abstêm de se posicionar diante das dificuldades da maioria. “Por que é que não começamos a cancelar todas as figuras públicas que se recusam a se pronunciar sobre os problemas do povo?”, questiona, apontando o comportamento do público em países como o Brasil, onde a omissão de celebridades costuma gerar reacções imediatas.
As declarações do artista surgem numa altura em que o Executivo avança com a eliminação gradual dos subsídios aos combustíveis, uma medida enquadrada nas recomendações do Fundo Monetário Internacional (FMI). A subida da tarifa de táxi, segundo a Agência Nacional dos Transportes Terrestres (ANTT), tem respaldo legal no Decreto Executivo Conjunto n.º 81/23 e no Decreto Presidencial n.º 283/20, e visa garantir a sustentabilidade financeira das operadoras de transporte.
Apesar dos argumentos institucionais, o impacto social da medida tem sido motivo de apreensão, sobretudo entre os sectores mais desfavorecidos da sociedade, para quem cada aumento representa mais um obstáculo ao acesso à mobilidade e à satisfação das necessidades básicas.
Tf do Poster termina o seu posicionamento com um apelo à mobilização popular e à responsabilização das figuras mediáticas. “Se não usam a sua voz para defender o povo, então não merecem o apoio do povo”, afirma. E acrescenta: “Está na hora de acordar. O povo não está a dormir.”
