A segunda edição da Africell Luanda Feira de Arte abriu oficialmente as portas nesta quarta-feira, 25 de Junho, no histórico Palácio de Ferro, em Luanda, sob o lema “50 Anos de Independência de Angola”. Com uma programação diversificada até sábado, 28, a feira afirma-se como um espaço de celebração, reflexão e projecção do futuro da arte angolana e africana.
A cerimónia de abertura contou com a recepção de delegados da Cimeira Estados Unidos–África, também a decorrer na capital angolana. A feira reúne 14 galerias e colectivos artísticos de várias províncias do país e da diáspora, destacando-se ainda a primeira exposição individual em Angola do artista Kwame Sousa, de São Tomé e Príncipe.
Com entrada gratuita (excepto para o evento especial de sexta-feira), a programação inclui exposições, oficinas, palestras, performances e debates, propondo uma abordagem interdisciplinar da arte e da cultura contemporânea.
Para o Director-Geral da feira, Dominick A. Maia-Tanner, o evento é mais do que uma mostra artística: “Celebrar os 50 anos de independência de Angola é também olhar para os próximos 50. Temos aqui artistas consagrados e jovens criadores que desenham o amanhã da nossa cultura”.
Dinamene Chongolola, gestor de comunicação da Africell, reforçou a missão da feira como espaço inclusivo:
“Queremos que a arte deixe de ser um espaço de nicho. Acreditamos que todos têm direito ao acesso à arte, independentemente da sua classe social. A feira é gratuita justamente para permitir esse encontro democrático.”
Ela também acredita que a iniciativa já começa a transformar carreiras e a posicionar Luanda no mapa internacional da arte.
Com a participação de artistas da Huíla, Benguela, Namibe e de Kinshasa (RDC), a feira reforça o seu carácter nacional e pan-africano. “Não é apenas uma feira de Luanda. É uma mostra abrangente do talento angolano e africano”, acrescentou Maia-Tanner.
O evento conta com o apoio do Ministério da Cultura, do Governo Provincial de Luanda e da Administração Municipal da Ingombota. Para Pedro Chissanga, Director Nacional de Acção Cultural, a feira representa “um passo importante para a valorização económica das artes em Angola”.
Também alertou para desafios como a ausência de seguros para obras de arte em Angola, apontando a necessidade de mais regulamentação e apoio ao ecossistema artístico
Visitantes internacionais, como Renata Rowolska e Wojciech Bizon, da Universidade de Gdańsk (Polónia), elogiaram a “originalidade e expressividade” da produção artística angolana. Já a Galeria Tamar Golan, ligada à Fundação Arte e Cultura, apresentou 50 obras de 20 artistas, incluindo autodidatas e estudantes, numa aposta clara na renovação de públicos e na valorização de novos talentos.
“Queremos despertar, na sociedade angolana, a consciência de que é possível viver das artes e de que há espaço para todos — dos autodidatas aos estudantes universitários”, reforçou Xavier Narciso, da Galeria Tamar Golan.
“A arte é um espelho da nossa identidade e um activo com valor real. Mesmo que não comprem nada, venham ver. Porque arte também é memória, resistência e futuro”, concluiu Maia-Tanner.
A Africell Luanda Feira de Arte permanece aberta ao público até sábado, 28 de Junho, entre as 10h e as 22h. A entrada é livre, com excepção da programação nocturna de sexta-feira.


