O processo-crime que envolve a empresária Isabel dos Santos, ex-presidente do Conselho de Administração da Sonangol e filha do antigo Presidente da República, José Eduardo dos Santos, encontra-se em fase de instrução contraditória no Tribunal Supremo, tendo entrado esta semana na sua etapa final, segundo avançou o Novo Jornal.
De acordo com a mesma publicação, o início da instrução estava previsto para 22 de Maio, mas foi adiado a pedido da defesa, tendo arrancado no princípio do corrente mês. O Novo Jornal, que avançou a informação em primeira mão no passado dia 13 de Maio, dá conta de que já decorreram três sessões, todas à porta fechada.
Apesar da ausência física no país, Isabel dos Santos está a participar nas audiências por videoconferência, a partir do Dubai, onde reside actualmente. Fontes citadas pelo Novo Jornal indicam que a empresária refuta todas as acusações formuladas pelo Ministério Público, classificando o processo como “politizado” e “mal instruído”.
Durante a sua audição, Isabel dos Santos terá referido nomes de antigos altos funcionários da Sonangol e do aparelho do Estado, que, segundo a defesa, não foram ouvidos durante a fase de instrução preparatória.
Além de Isabel dos Santos, constam como arguidos no processo Sarju Chandulal Raikundalia, Mário Filipe Moreira Leite da Silva, Paula Cristina Fidalgo Carvalho das Neves Oliveira, bem como a consultora Price Waterhouse Coopers e Associados — Sociedade de Revisores de Contas Limitada.
O Ministério Público imputa aos arguidos a prática dos crimes de peculato, burla qualificada, abuso de poder, abuso de confiança, falsificação de documentos, associação criminosa, participação económica em negócio, tráfico de influência, branqueamento de capitais e fraude fiscal, simples e qualificada.
A acusação aponta para um prejuízo superior a 208 milhões de dólares causados ao Estado angolano. Isabel dos Santos é representada, neste processo, pelo advogado Sérgio Raimundo.
