Comandante processa empresa de Tchizé dos Santos após despedimento e acusações de abandono

O comandante britânico Richard Sterling interpôs uma acção judicial no Tribunal da Comarca de Lisboa contra a empresa Nastroblue, ligada à empresária angolana Welwitschea José dos Santos “Tchizé”, por considerar ilícito o seu despedimento, ocorrido a 8 de Outubro de 2024.

Segundo declarou à revista Sábado, o comandante foi informado do despedimento por email e afirma ter permanecido durante 37 dias num porto em Savona, Itália, com outro tripulante, sem meios adequados de subsistência. “Não tínhamos comida nem equipamentos para enfrentar o frio e a chuva”, denunciou, referindo que esteve a bordo do iate ANJE, propriedade da empresa Nastroblue.

Richard alega ainda que suportou, com fundos próprios, despesas operacionais e logísticas relacionadas com a manutenção de três embarcações (ANJE, SOL e DREAM), somando valores superiores a nove mil euros, sem reembolso. Refere também que o salário mensal de seis mil euros foi frequentemente pago com atrasos, tendo apresentado diversas queixas formais à Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT).

O comandante exige mais de 70 mil euros em compensações, incluindo valores referentes a horas extraordinárias, feriados, subsídios e danos morais. Na acção judicial, aponta também alegados casos de assédio moral e violação contratual.

Entre os motivos de tensão, destaca-se o uso de um veículo alegadamente pessoal de Tchizé dos Santos para fins profissionais. A empresária terá considerado a acção uma quebra de confiança. Richard, por sua vez, defende que o carro foi disponibilizado para apoio à tripulação e nega qualquer utilização indevida.

A primeira audiência decorreu a 15 de Janeiro deste ano, mas terminou sem acordo. A audiência final, inicialmente prevista para Março, foi adiada, aguardando-se nova marcação pelo tribunal.

Contactada pela Sábado, a gerência da Nastroblue rejeita as acusações e refere que todas as respostas foram prestadas “em sede própria”.

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