As chuvas registadas nos últimos dias em algumas regiões do país, nomeadamente nas províncias de Luanda, Zaire, Cabinda e Cuanza Norte, em plena época do cacimbo, constituem um sinal de alerta quanto aos impactos das alterações climáticas, considerou, nesta quinta-feira, o especialista em gestão ambiental Rafael Lucas.
Em declarações à Rádio Ecclésia, o ambientalista referiu que o fenómeno não deve ser encarado como uma situação isolada, mas sim como uma manifestação concreta do aquecimento global, resultante da acção humana, entre as quais o desmatamento, a queima de combustíveis fósseis e a poluição de origem industrial e urbana.
Segundo o especialista, tais factores têm contribuído para a alteração dos padrões climáticos tradicionais, influenciando a temperatura, a humidade e os sistemas de circulação atmosférica. “Angola, particularmente nas zonas costeiras, tem vindo a sentir com maior intensidade os efeitos dessas mudanças”, afirmou.
Rafael Lucas salientou que, embora a época do cacimbo seja caracterizada por um clima seco e de temperaturas mais baixas, a ocorrência de precipitações nesse período demonstra que a atmosfera começa a perder os seus referenciais cíclicos.
O técnico alertou igualmente para a formação de ilhas de calor urbano, resultantes do crescimento desordenado das cidades, com destaque para Luanda. Explicou que a expansão urbana, sem um adequado planeamento territorial, origina zonas com maior retenção de calor, devido à escassez de áreas verdes e ao predomínio de materiais como cimento e asfalto, que absorvem e emitem calor.
Por seu turno, o presidente da Minuto Verde–Quercus Angola, sublinhou que as chuvas fora do período habitual devem ser interpretadas como um reflexo da perda dos equilíbrios naturais do clima. Defendeu o reforço das políticas públicas voltadas para a protecção ambiental e a implementação de medidas de adaptação às alterações climáticas.
“As instituições científicas, as organizações ambientais e os órgãos do Estado devem reforçar os mecanismos de monitoramento climático, bem como investir na educação ambiental e na sensibilização das comunidades para práticas sustentáveis”, afirmou.
As alterações climáticas constituem um fenómeno de dimensão global, sendo, segundo os especialistas, necessário o reforço da cooperação nacional e internacional para mitigar os seus efeitos e preservar os ecossistemas.
